Secrets of a craftsman #1 / Segredos de um artesão #1

Saddlery by Ataíde Neves
In Lisboa, an experienced saddler dodges the crisis thanks to the quality of his work. He works the leather mainly for horseback riders, but doesn’t turn his back to unexpected customers, domestic and foreign alike. His joy and his skill are the pillars of his unusual success, he claims, although returning customers and the rarity of his skill may very well be a strong influence.
Em Lisboa, um correeiro experiente contorna a crise graças à qualidade do seu trabalho. Trabalha o cabedal maioritariamente para cavaleiros mas não recusa clientes de áreas inesperadas, dentro e fora de fronteiras. Aponta o gosto pelo que faz e a habilidade com que o faz como os pilares do seu invulgar sucesso, mas clientes fiéis e a raridade do seu ofício poderão ser factores determinantes.

That saturday, due to the heavy rains, the juniors football team of Povoense didn’t play against Benfica, which gave Ataíde Neves – father of two daughters, the youngest of them thirteen years old  is a football player in Povoense – the morning off to talk about his job, his business and his life.

Nesse sábado, devido à chuva torrencial, a equipa de futebol de juniores feminina do Povoense não jogou com o Benfica, o que deixou a Ataíde Neves – pai de duas filhas, a mais nova, com treze anos de idade, futebolista no Povoense – a manhã livre para conversar sobre a sua profissão, o seu negócio e a sua vida.

Ataíde Neves, the Jockey Club saddler

His workshop is deep inside a small village located in Lisboa, a place that, as so many other places in the capital, goes unnoticed to many Lisboners. Only people who are related to its specific culture work, reside or visit this village. A few dozen people inhabit it. As do a few hundred horses. It sits right besides Campo Grande and goes by the name of Centro Hípico de Lisboa, home of the Sociedade Hípica Portuguesa. Those who visit it regularly call it by its less formal name – the Jockey.

A sua pequena loja-oficina fica numa aldeia no interior de Lisboa que, como tantos outros lugares da capital, passa despercebida aos Lisboetas. Nesta aldeia só residem, trabalham ou a visitam pessoas que, de uma ou outra forma, estão relacionadas com a sua actividade e a sua cultura específica. Lá residem algumas dezenas de pessoas e algumas centenas de cavalos. Fica junto ao Campo Grande e chama-se Centro Hípico de Lisboa. Quem a visita conhece-la pelo nome da instituição que alberga – a Sociedade Hípica Portuguesa – ou pelo seu nome mais coloquial – o «Jockey».

Besides small spontaneous houses, meandering the dirt tracks and puddles, this Lisboa’s village also has riding rings, courtyards connected to the boxes where the horses dwell, and half a dozen commercial establishments. One of these is the notorious – for those who need it – saddler workshop, a skill closely bound to the art of horseback riding.

Para além de pequenas habitações vernáculas, esta aldeia Lisboeta possui também, entre caminhos de saibro e terra batida, picadeiros e pátios relacionados com a prática do hipismo e meia dúzia de estabelecimentos comerciais, entre os quais a famosa – para quem dos seus serviços precisa – loja do correeiro, ofício intimamente ligado à arte de cavalgar.

Saddlery by Ataíde Neves

 

Ataíde, a saddler with 36 years on the job, started his activity in the army’s workshops – the Casão Militar, fulfilling the army service at the same time. He chose saddlery, not by family tradition, but because he considered himself a natural craftsman. But the origins of such talent, he puts it partly on his father who, in his native Pampilhosa da Serra region, would frequently replace the scarce physicians of the province, dispensing treatments and simple bandages throughout the villages. Threatened by the Republican Guard for practicing unlicensed medical acts, he was helped by a doctor who treasured him as a field aid and who drove him to Coimbra to help him legalize the job he already had.

Ataíde, correeiro com 36 anos de experiência, começou a sua prática nas Oficinas Gerais do Exército, o Casão Militar, cumprindo, simultaneamente o serviço militar obrigatório. Escolheu a correaria, não por ter alguma ligação familiar ao ofício, mas por se considerar habilidoso com os trabalhos manuais. Já as origens de tal talento, atribui-as em parte ao pai, que na sua região natal da Pampilhosa da Serra fazia frequentemente as vezes dos raros médicos da província, administrando tratamentos e curativos simples pelas aldeias da zona. Ameaçado pela GNR por praticar actos médicos sem licença, foi ajudado por um médico que o estimava como auxiliar e que o levou a Coimbra para o ajudar a legalizar a profissão que já exercia.

(to be continued / continua)

Graphic journalism workshop / Oficina de jornalismo gráfico

Graphic journalism workshop

During the past few weekends, Eduardo Salavisa, sketcher, and Alexandra Prado Coelho, journalist, have been teaching a graphic journalism workshop in Museu Bordalo Pinheiro in Lisboa. The workshop is inspired on the weekly column “Crónica Urbana” printed in Público, where a journalist writes a chronicle to be coupled with a sketch done on site by an illustrator.

Durante os últimos fins-de-semana, o Eduardo Salavisa, desenhador, e a Alexandra Prado Coelho, jornalista, têm estado a leccionar uma oficina de jornalismo gráfico no Museu Bordalo Pinheiro em Lisboa. A oficina é inspirada na coluna semanal “Crónica Urbana” do Público, em que um jornalista escreve uma crónica acompanhada de um desenho feito no local por um ilustrador.

Graphic journalism workshop

We spent the second and third classes at Lisboa’s horseback riding club (Sociedade Hípica Portuguesa), gathering information for a story to be compiled in a single reportage with sketches done on site. The next post will feature my results for this final assignment. Stay tuned!

Passámos a segunda e a terceira sessões na Sociedade Hípica Portuguesa, no Campo Grande, juntando elementos para uma história, para ser compilada numa única reportagem com desenhos feitos no local. O próximo post terá a minha reportagem resultante deste trabalho final. Fiquem atentos!

Graphic journalism workshop

Bué da Fish

Bue da Fish, Nuno Saraiva, workshop, oficina, Lisboa, Portugal, São Paulo, peixe

The odd name chosen for the sketching workshop held last week at Giv Lowe gallery, in the bowels of Lisboa, has to do with the crossover between pop culture and popular traditions that illustrator and comic book artist Nuno Saraiva so often portrays in his work.

O estranho nome da oficina de desenho dada na semana passada na galeria Giv Lowe, nas entranhas de Lisboa, teve a ver com o cruzamento entre cultura pop e tradições populares em que o ilustrador e autor de banda desenhada Nuno Saraiva tão frequentemente retrata no seu trabalho.

Bue da Fish, Nuno Saraiva, workshop, oficina, Lisboa, Portugal, São Paulo, peixe

The June Lisboa festivities gave him the inspiration for the theme of the workshop, and the model posing for us interpreted the character beautifully, with her traditional Lisboner fishmonger costume.

As Festas de Lisboa deram-lhe a inspiração para o tema da oficina, e a modelo que posava para nós interpretava a personagem de uma forma espantosa, com a ajuda do seu traje de peixeira Lisboeta.

Bue da Fish, Nuno Saraiva, workshop, oficina, Lisboa, Portugal, São Paulo, peixe

There were but a bunch of us sketching the semi-burlesque Gogo Lolita. In the end, Nuno pitched the idea that our sketches joined his own in the exhibition that surrounded us in the very gallery where the workshop was held. His exhibition shows large prints, side-by-side with the originals, of the beautiful illustrations that decorated the city during and well after June’s festivities.

Eramos apenas um punhado de gente, desenhando a semi-burlesca Gogo Lolita. No final, o Nuno lançou a ideia dos nossos desenhos integrarem a sua própria exposição, da qual estavamos rodeados durante a oficina. A exposição exibia grandes serigrafias, lado-a-lado com os desenhos originais, das belas ilustrações que decoraram a cidade durante e depois das Festas de Lisboa.

Bue da Fish, Nuno Saraiva, workshop, oficina, Lisboa, Portugal, São Paulo, peixe

Even though we’re just hours away, I invite you all to show up at 7pm, at Giv Lowe, in Largo de São Paulo, for the finissage of Nuno Saraiva‘s exhibition. And, by the way, to take a peek of the sketches from the workshop.

Apesar de em cima da hora, estão todos convidados a aparecer hoje, às 19h00, na Giv Lowe, no Largo de São Paulo, para a finissage da exposição do Nuno Saraiva. E, já agora, para espreitar os desenhos que resultaram da sua oficina.

Shapes of reality part #2

António Procópio, FASVS, workshop, Amoreiras, Lisboa, Portugal

The second exercise of António Procópio‘s workshop at FASVS was to use our skill capturing shapes of reality, as in the previous exercise, and set a scenary where we would frame the sketch with an outer shape, like the void of an arch or between two trees. That frame had to be filled with the shapes of whatever stuff we could see through it.

O segundo exercício da oficina do António Procópio na FASVS era montar um cenário, usando a perícia adquirida no exercício anterior, onde um vazio serviria de moldura, um arco ou o espaço entre duas árvores. A moldura teria de ser cheia com as formas do que lá se encontrasse.

 

António Procópio, FASVS, workshop, Amoreiras, Lisboa, Portugal

The third exercise was the opposite: one had to start with a central shape, and draw every shape adjacent to it in an outwardly movement.

O terceiro exercício consistia em fazer o oposto: começar com uma forma central, e desenhar todas as formas adjacentes que lhe eram adjacentes, num movimento de expansão.

António Procópio, FASVS, workshop, Amoreiras, Lisboa, Portugal

Shapes of reality part #1

António Procópio, FASVS, workshop, Amoreiras, Lisboa, Portugal

António Procópio‘s workshop in FASVS brought us all back to basics. He showed us a simple technique to commit to paper the simplicity of what we see, rather that the categorized complexity of what our brain sees. Reality, António told us, can be decomposed in simple bi-dimensional shapes. As a warm up exercise, in the diversity of planes, objects and points of view that the Amoreiras park had to offer, we had to fill a spread of our sketchbooks with disconnected shapes. Just shapes, that represented a unity of a plane, a color, an object or a void.

António Procópio, FASVS, workshop, Amoreiras, Lisboa, Portugal

A oficina do António Procópio na FASVS trouxe-nos a todos de volta à base. Ele mostrou-nos uma técnica simples para passar para o papel a simplicidade do que vemos, ao invés da complexidade categorizada do que a nossa mente vê. A realidade, diz o António, pode ser decomposta em formas simples bi-dimensionais. Como exercício de aquecimento, de entre a diversidade de planos, objectos e pontos de vista que o Jardim das Amoreiras tem para oferecer, tivemos de encher um spread dos nossos cadernos com formas desconexas umas das outras. Apenas formas que representassem uma unidade de um plano, de uma cor, de um objecto ou de um vazio.

António Procópio, FASVS, workshop, Amoreiras, Lisboa, Portugal