10×10 Lisbon: Local markets = great professions

For my third class as instructor in the Urban Sketchers 10 Years x 10 Classes programme in Lisboa, we went to Campo de Ourique market, a small and cozy building, in an uptown district, that underwent a deep renovation a few years ago, and is now a posh destination to eat and drink in the city.

Na minha terceira experiência como instrutor do curso 10 Years x 10 Classes dos Urban Sketchers em Lisboa, fomos ao mercado de Campo de Ourique, um edifício pequeno e aconchegado que foi algo de uma renovação, há alguns anos, e é agora um destino elegante para beber e comer na cidade.

The traffic was unusually chaotic, and I arrived late in the location. So the first warm up exercise was assigned as homework. In the first part of the challenge – “get up stand up, stand up for your crowd” – we were to sketch a crowd in 15 minutes while standing, by hanging people by the head from an imaginary tight rope that we’d call horizon. This technique guarantees that the scene is coherent and every person that we sketch falls into place naturally. The second part of the exercise – “everybody in the house get down” – was to do the same thing while sitting or crouching. This time, people should be hung by the waistline, guaranteeing the same results as before.

O trânsito estava anormalmente caótico e acabei por chegar tarde ao local. Assim, o primeiro exercício passou a trabalho de casa. Na primeira parte do desafio, deveriamos desenhar, de pé, uma multidão em 15 minutos, pendurando pessoas pela cabeça de uma corda imaginária que chamariamos de horizonte. Esta técnica garante que a cena resulta coerente e que todas as pessoas desenhadas encaixam naturalmente. Na segunda parte do exercício, deveriamos proceder da mesma forma, mas sentados ou de cócoras. Desta forma, as pessoas estariam penduradas da corda pela cintura, para garantir os mesmos resultados do desafio anterior.

We jumped directly to the second exercise, which put everyone in contact with a single local profession. Participants had to choose one of the many available professions on site – a trader, a security guard, a hauler – and, in a single spread, separately sketch the head of the professional, his/her hands, the product/service, the hands of the receiver/customer and his/her head. This would focus all sketching attention on the main elements of a trade or a transaction. Head-expression, hands-action and product/service provided as the element that brings those people together.

Com a falta de tempo, saltámos directamente para o segundo exercício, que pôs todos em contacto com uma única profissão. Os participantes tiveram de escolher uma das muitas profissões no local – um comerciante, um segurança, um carregador – e, numa dupla página, desenhar separadamente a cabeça do profissional, a sua cabeça, as suas mãos, o produto/serviço, as mãos da/o receptor/cliente e a sua cabeça. Este formato faria com que toda a energia dos desenhadores ficasse focada nos elementos principais de uma transacção. A cabeça-expressão, as mãos-acção e o produto/serviço prestado como o elemento que junta as pessoas.

Besides the traditional fishmongers and grocers you usually find in local markets, a big feature of this one is the food kiosks and dining area. This was the stage for the third exercise – participants had to follow a meal from its origin to its disposal, focusing on the people that cook it, season it, serve it, purchase it, eat it, and, of course, the people that clean after it. Placement on the spread didn’t matter, as long as you could trace the route of the food across all the people involved. Some really interesting layouts came out of this challenge, as breaking down a story in acts or moments allows for simplification in sketching technique and prompts innovation in the composition.

Para além das tradicionais peixarias e frutarias que, normalmente se encontram num mercado local, uma das grandes atracções é a área de comida e bebida. Foi o palco do terceiro exercício – os participantes tiveram de seguir uma refeição desde a sua origem até à arrumaçaõ da louça, com enfoque nas pessoas que a cozinham, a temperam, a servem, a compram, a comem e, claro, as que vêm arrumar tudo no final. A colocação na dupla página não era importante, desde que se conseguisse seguir o caminho da comida através dos seus intervenientes. Deste desafio resultaram algumas composições muito interessantes, já que, partir uma história em vários actos ou momentos permite a simplificação da técnica de representação e provoca inovação na composição.

Poland goes to Lisboa

One thing that relates Poland with Portugal is that they usually show up next to each other in drop-down lists when filling online registration forms.

Silly stuff aside, they’re both catholic majority countries, which probably accounts for some of the recent increase in Polish tourists walking in the streets of Lisboa. Among them, were two very special visitors.

Uma coisa que liga a Polónia a Portugal é que, normalmente, os dois aparecem ao lado um do outro nas listas de países, quando se preenchem formulários online.

Parvoíces à parte, são ambos países com população maioritariamente católica, o que provavelmente justifica parte do aumento recente de turistas Polacos nas ruas de Lisboa. Entre eles, estiveram dois visitantes muito especiais.

Kasia Szybka, from Warsaw, was visiting Portugal, invited by Turismo de Portugal – the government tourism office – to sketch the Pope’s visit to Fátima in the 100th anniversary of the apparitions of the holy mother. Pedro and I invited her to come sketch with us during one of our lunch hours. We took her to cozy and picturesque Largo dos Trigueiros for a coffee and a doodle. We shared a bit of dark humor and stories about our visits to each other’s countries.

Kasia Szybka, de Varsóvia, visitou Portugal convidada pelo Turismo de Portugal , para visitar a visita do Papa a Fátima no 100º aniversário das aparições. O Pedro e eu convidámo-la a vir desenhar connosco durante a hora de almoço. Levámo-la ao acolhedor e pitoresco Largo dos Trigueiros para um café e um rabisco. Partilhámos humor negro e histórias das visitas aos países de uns e outros.

Mateusz Hajnysz from Łódź came to visit western Algarve and Lisboa with his wife and two kids. Mateusz was the first sketcher I met in Manchester the day before the Urban Sketchers International Symposium kicked-off last year. We used the same Largo dos Trigueiros as the starting point of a tour around the Castelo hill, which saw us sharing tips on lighting in watercolor, how to sketch weddings and how to manage a local urban sketchers chapter. In the end, we came to the conclusion that both our languages had tricky and illogical pronunciation rules.

Mateusz Hajnysz de Łódź veio visitar o barlavento Algarvio e Lisboa com a mulher e os dois filhos. O Mateusz foi o primeiro desenhador que conheci em Manchester, no dia anterior ao arranque do Simpósio Internacional de Urban Sketchers, no ano passado. Usamos o mesmo Largo dos Trigueiros como o início de um passeio à volta da colina do Castelo, que nos ouviu a partilhar dicas sobre luz na aguarela, como desenhar casamentos e como gerir um grupo local de urban sketchers. No final, chegámos à conclusão que ambas as nossas línguas têm regras de pronunciação estranhas e meandrosas.

10×10 Lisbon: Skyscrapers

In my second class as instructor in the Urban Sketchers 10 Years x 10 Classes programme in Lisboa, the challenge was to sketch far and below from a skyscraper. But conventional tall buildings are scarce in this capital city, and not very suitable places to sketch from, so I opted to lead the participants to one of Lisboa’s own alternative skyscrapers – the Nossa Senhora do Monte vantage point.

Na minha segundo experiência como instrutor do curso 10 Years x 10 Classes dos Urban Sketchers em Lisboa, o desafio era de desenhar longe e abaixo a partir de um arranha-céus. Mas edifícios altos convencionais são raros na capital, e não são locais adequados de onde se desenhar, portanto optei por orientar os participantes a partir de um dos arranha-céus invulgares de Lisboa – o miradouro da Nossa Senhora do Monte.

In all of the three exercises, the key skill to focus on was the simplification of the immense sea of detail that the vantage point offered us. First, we simplified horizontally, by translating all of the city’s skyline in a single continuous line, adding detail in but a few buildings that caught our attention, labeling them.

Em todos os exercícios, a chave era a simplificação do imenso mar de detalhe que o miradouro nos oferecia. Primeiro, simplificámos horizontalmente, traduzindo todo o skyline da cidade numa única linha contínua, acrescentando detalhe em apenas alguns edifícios que captavam a nossa atenção, e legendámo-los.

Then, we simplified vertically, finding a path between the roof just under our feet and a chosen destination in the skyline, tracing roofs, windows, facades and streets on the way. Anything that seemed suited to make our sketch progress upwards. On the way, we found a city feature and, exploring it a bit, we wrote a sentence or small paragraph about it.

Depois, simplificáos verticalmente, encontrando um trilho entre o telhado mais próximo dos nossos pés e um destino à escolha sobre o skyline, desenhando sobre telhados, janelas, fachadas e ruas no caminho. Qualquer coisa que fizesse o nosso desenho progredir para cima. No caminho, encontrámos um marco da cidade e, explorando-o um pouco, escrevemos uma frase ou um pequeno parágrafo sobre ele.

Finally, we simplified the relationship of people with the city. Outbursts of tourists in the vantage point oversimplify Lisboa – “there’s the place where we were”, “the bridge looks like the one in San Francisco”, “that’s where our hotel is”. Any of those simple sentences could generate a simple story. That story was to be written also in lines, from the person saying it to the place that was mentioned, again, roof to facade, window to street, along a continuous path, simplifying shapes and stories.

Finalmente, simplificámos a relação das pessoas com a cidade. Os dizeres dos turistas no miradouro simplificam Lisboa exageradamente – “ali está o sítio onde estavamos”, “a ponte parece a de São Francisco”, “é ali que é o nosso hotel!. Qualquer destas frases simples pode gerar uma história simples. Essa história teve de ser escrita também em linhas, partindo do desenho da pessoa que a diz até ao sítio que é mencionado, novamente, de telhado a fachada, de janela a rua, ao longo de um caminho contínuo, simplificando formas e histórias.

Chamusca, the heart of Ribatejo

Chamusca lies along the south bank of the Tejo, in the heart of the highly agricultural Ribatejo. The City Hall harnessed this geographical claim as a promotion tool for the tourism in the region. “Chamusca, the Heart of Ribatejo” is the new message that they’re sending out to the rest of the country, basing the campaign on the town’s rich gastronomy, fervent cultural life and strong traditions. The mayor himself is a sketcher, so the City Hall invited the urban sketchers to visit Chamusca and have a go at their sights and colors.

A Chamusca fica na margem sul do Tejo, no coração do Ribatejo agrícola. A Câmara Municipal tomou para si esta assinatura geográfica como uma ferramenta de promoção ao turismo na região. “Chamusca, o Coração do Ribatejo” é a nova mensagem que pretendem enviar ao resto do país, baseando a campanha na riqueza da gastronomia, na cultura fervilhante e na força das tradições. Sendo o próprio Presidente da Câmara um desenhador, a Câmara Municipal convidou os urban sketchers a visitar a Chamusca para retratar as suas vistas e as suas cores.

161001-chamusca-01

From high up on the hill where the small Nossa Senhora do Pranto chapel sits, the Tejo wetlands and the town sitting on the foothill were ready to be sketched. Seemed like an ordinary wetlands town from there, but what was extraordinary was the very fact that we could gaze at all of it from above. Chamusca sits at the end of the Tejo valley and at the beginning of the wetlands which only stop at the Mar da Palha, and that gives the town an unique vantage point. The climb up wasn’t hard. The Town Hall bus brought us up. Our legs and appetite brought us down. Town Hall had prepared a veritable banquet in a local restaurant. We tasted all the different foods of the region, sided with a fado singer and guitar players.

Do topo da colina onde fica a pequena capela da Nossa Senhora do Pranto, o Tejo e a vila no sopé dos montes posavam para os desenhos. Tudo parecia indicar que esta era uma vila agrícola como tantas outras da lezíria , mas o que era extraordinário era o facto de a podermos observar assim do topo, com a vastidão da lezíria defronte. A Chamusca fica no fim do vale do Tejo e no início da vasta lezíria que termina no Mar da Palha, e isso faz com que seja um lugar único, onde as colinas do vale ainda permitem ver a vastidão fértil do Tejo. A subida não foi difícil. O autocarro da Câmara tratou disso por nós. As nossas pernas e o nosso apetite trouxeram-nos de volta à vila. A Câmara preparou um verdadeiro banquete num restaurante local. Provámos as diferentes iguarias regionais, guarnecidas com fadista e guitarristas.

161001-chamusca-02

Well nourished, it was time to spend a semi-lazy sunny afternoon sketching the historical center of Chamusca. The town is peppered with buildings related to agriculture, usually cooperatives and early to mid-20th century state institutes, bound at the time on controlling and taxing both the farming population and the agricultural elites of old.

Bem nutridos, estava na altura de passar uma tarde solarenga meio preguiçosa no centro histórico da Chamusca. A vila está polvilhada de edifícios relacionados com agricultura, cooperativas e edifícios de serviços do estado da primeira metade do séc. XX, lançados na tarefa de controlar e taxar tanto a população agrícola como as elites agrícolas da altura.

161001-chamusca-03

Besides the great feast and the tour up the hill, another great gift the Town Hall had for us was a set of high quality paper folded sketchbook, all of them locally handmade by artisans Linha28. I got from it the best reaction from my Rembrandt watercolors that I’d seen in a long time! And it gave me a chance to wrap up one sketch meeting in one sketchbook. OCD victory!

Para além do lauto banquete e da viagem à capela, uma outra oferta da Câmara foi um conjunto de cadernos desdobráveis com papel de alta qualidade, fabricados à mão pelos artesãos locais Linha28. Dele tive a melhor reacção das minhas aguarelas Rembrandt que tinha visto há muito tempo! E deu-me a oportunidade de fechar um encontro num único caderno. Vitória do TOC!

10×10 Lisbon: Public realm objects

02_usk-10classes-lisbon

The past Wednesday, I had my first class as instructor in the Urban Sketchers 10 Years x 10 Classes programme in Lisboa. All classes are focused on graphic reportage and storytelling, and we will be approaching subjects on three different scales. We’ll learn how to handle and tell little, medium and big stories about the places where we live.

Na passada quarta-feira, dei a minha primeira aula como instrutor no curso 10 Years x 10 Classes dos Urban Sketchers em Lisboa. Todas as aulas são focadas na reportagem gráfica e nas histórias desenhadas, e vamos abordar os assuntos em três escalas diferentes. Vamos aprender a contar histórias pequenas, médias e grandes, sobre os sítios onde vivemos.

In my little stories class, we focused on city objects that you don’t really notice they’re there, but can be very important to your safety, comfort or enjoyment – public realm objects. We learned how to harvest an interesting story out of the most mundane and unnoticed objects in our city. After all, is there a better way of becoming a good storyteller than to turn a dull subject into a fascinating report? We also practiced how to properly balance title, text and figure in the same sketch. Finally, we challenged each other as we pitched our story out loud to all of our colleagues.

Na minha aula de histórias pequenas, focámo-nos em objectos da cidade que não notamos que lá estão, mas que podem ser muito importantes paa a nossa segurança, conforto ou prazer – objectos do domínio público. Aprendemos a colher uma história interessante a partir dos mais mundanos objectos na nossa cidade. Afinal, há melhor maneira de nos tornarmos bons contadores de histórias que tornar um assunto aborrecido numa reportagem fascinante? Também praticámos o equilibrio entre texto, título e desenho nas mesmas páginas. Finalmente, desafiámo-nos uns aos outros ao contar, em viva voz, a nossa história aos nossos colegas.

170523-sao-domingos-01
In the first exercise, we sketched a city view, filtering out everything that wasn’t a public realm object. Here, critical reasoning was fundamental, as we could include or exclude objects based on our own opinion. After all, it’s our sketchbook, we cry if we want to. We wrapped it up by attributing a verb to each object.

No primeiro exercício, deenhámos uma vista urbana, filtrando tudo o que não era objecto do domínio público. Aqui, o nosso sentido crítico foi fundamental, porque incluimos ou excluimos objectos baseados nas nossas próprias opiniões. Afinal, o caderno é nosso, fazemos o que queremos nele. Terminámos a atribuir um verbo a cada objecto desenhado.

170523-sao-domingos-02

In the second challenge, we chose one of the objects, sketch it from several viewpoints when necessary, and take plenty of notes about it – facts only, or questions about facts that we’d like cleared. Then, in one minute, we pitched our sketch to everybody.

No segundo desafio, escolhemos um dos objectos, desenhámo-lo de vários pontos de vista, quando necessário, e tomamos apontamentos – apenas factos, ou interrogações sobre factos que gostariamos de ver esclarecidos. No final, tivemos um minuto para mostrar e contar o nosso desenho a todos.

170523-sao-domingos-03

Finally, we approached the story full-on, relating the object to the people around it, or the people that interact with it, or even the people that walk past it and simply ignore it. Sketching a bit of the context, if necessary, we told
the human story of the chosen object. We wrapped it up with a 30-second pitch, because Ginjinha was calling from across the square.

Finalmente, abordámos a história em pleno, relacionando o objecto com as pessoas em seu torno, ou as pessoas que interagiam com ele, ou mesmo as pessoas que ignoravam o objecto e simplesmente passavam por ele. Desenhando um pouco do contexto, se necessário, contámos a perspectiva humana do nosso objecto. Rematámos com uma exposição oral de 30 segundos, porque a Ginjinha chamava do outro lado do largo.