Porto, sketch by sketch

Porto, the second largest city in Portugal, is undefeated in many fronts!

O Porto é invicto em muitas frentes!

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The charming city in the north is the European Best Destination for the third time in a five-year span. But what has been making it so special for us, sketchers, in the past few months since the national Urban Sketchers gathering in 17-18th of September, is the work that was being done to publish the resulting set of sketches in the book “Porto por/by Urban Sketchers”. Ponto M broke records by marketing a fine-crafted, well-organized and sexy-looking book, along with dozens of merchandising items featuring our sketchbook doodles, in an amazingly short time!

A encantadora cidade nortenha é o Melhor Destino Europeu pela terceira vez num intervalo de cinco anos. Mas aquilo que a tem tornado tão especial para nós, desenhadores, nos meses desde o Encontro Nacional de Urban Sketchers a 17-18 de Setembro, é o trabalho que tem estado a ser feito para publicar os desenhos resultantes no livro “Porto por/by Urban Sketchers”. A editora Ponto M bateu recordes ao colocar no mercado um livro delicadamente executado, bem organizado e atraente, junto com dezenas de objectos de merchandising com os nossos rabiscos, num tempo incrivelmente curto!

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The book launch took place in Armazéns do Castelo, a space owned by the historical landmark Livraria Lello, where a small crowd gathered to listen to Pedro Alegria, of the Urban Sketchers Portugal Norte chapter, Nelson Paciência, of the Urban Sketchers Portugal Association and Manuel Reis of the publisher Ponto M. Together with Clara Palma and Helena Nunes, they had the painstakingly task of selecting the sketchers of every author that submitted scans, lay them out on 216 pages, tackling the different scanning processes, formats and sizes, and still come up with a piece of design that one can proudly display on the coffee table, or happily take it home after a pleasant vacantion in Porto.

O livro foi lançado nos Armazéns do Castelo, um espaço da histórica Livraria Lello, onde uma pequena multidão se reuniu para ouvir as palavras do Pedro Alegria, dos Urban Sketchers Portugal Norte, do Nelson Paciência, dos Urban Sketchers Portugal e do Manuel Reis da editora Ponto M. A Clara Palma, a Helena Nunes e o Manuel, tiveram a árdua tarefa de seleccionar os desenhos de cada autor que os submeteu, compô-los em 216 páginas, fintando os processos de digitalização, formatos e tamanhos diferentes, e ainda tornar real uma peça de design que se pode, orgulhosamente ter sobre a mesa de café, ou levar alegremente para casa depois de umas férias agradáveis no Porto.

A morning down the Aliados

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Almeida Garrett gazes upon Avenida dos Aliados and, beyond the Palácio das Cardosas, the Cathedral of Porto. The Sunday morning route of the Urban Sketchers meeting took the sketchers down the Aliados from Trindade, through São Bento and the Rua das Flores, straight to the gathering point for our second lunch together in the Jardim do Infante.

Almeida Garrett contempla a Avenida dos Aliados e, para lá do Palácio das Cardosas, a Sé do Porto. O percurso da manhã do domingo do Encontro Nacional de Urban Sketchers levou os desenhadores a descer os Aliados desde a Trindade, por São Bento e pela Rua das Flores, até chegarem ao ponto de encontro para o segundo almoço no Jardim do Infante.

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The scorching heat shot over the stolid playwright, enlightened by his muses, holding up the capitols of the City Hall.

O calor tórrido deixava impassível o dramaturgo, iluminado pelas musas que sustém os capitéis do edifício da Câmara Municipal do Porto.

An evening of lectures in Gaia

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Tiago Cruz is a natural speaker and teacher. After a wine tasting session on the south bank of the Douro, the Urban Sketchers Portugal Norte sketch meeting proceeded inside the Porto wine cellar Calem for a couple of lectures, the first being Tiago’s “O Nós e os Cadernos: o diário em ‘Diário Gráfico“. The thought-provoking themes we were discussing earlier across the bridge, were now tossed to the public realm, stirring a debate on the private and public nature of the graphic journal, on the secret and exhibitionist aspects of our drawings and on the relationship between one’s graphic experiments and explorations and the publishing business.

O Tiago Cruz é um orador e professor em toda a medida. Depois de uma prova de vinhos à beira do Douro, em Gaia, o encontro de desenhadores dos Urban Sketchers Portugal Norte seguiram para dentro das caves Calem para um par de palestras, sendo a primeira “O Nós e os Cadernos: o diário em ‘Diário Gráfico” do Tiago. Os temas que discutiamos poucas horas antes na margem oposta do Douro, eram agora lançados ao público, provocando um debate sobre a natureza privada e pública do diário gráfico, sobre os aspectos secretos e exibicionistas dos nossos desenhos, e a relação entre as nossas próprias experiências gráficas e o negócio da edição.

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Next up, architect João Paulo Delgado told us the history of the city of Porto, a commercial crossroads hailing from the Celtic Iberian Peninsula, all the way through the Roman occupation and the Middle Ages, up until the notorious Ponte das Barcas catastrophe during the French Invasions and to the present. The Latin name of the city is the root of the very name of the country. Portus = port, and Callis = road. A fitting name for a city and a nation of traders.

A seguir, o arquitecto João Paulo Delgado contou-nos a história da cidade do Porto, um cruzamento de rotas comerciais a funcionar desde a Península Ibérica Céltica, passando pela ocupação Romana e a Idade Média, até ao célebre desastre da Ponte das Barcas durante as Invasões Francesas e ao nosso tempo. O nome latino da cidade é a raíz do próprio nome do país. Portus = porto e Callis = estrada. Um nome adequado para uma cidade e uma nação de comerciantes.

An afternoon across the Douro

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Six years change a city dramatically. It had been that long since my last visit to Porto. Everything became prettier and crowdier. I’m not one to complaint about crowds, they’re a good sign. Business is booming. People are enjoying themselves and are getting to know how awesome Porto is. Still, a conflict arises. How can Porto (or any other touristic city for that matter) remain genuine if the gaze of the Other changes it forever – both anthropologists and quantum physicists deal with different aspects of this conflict. Tiago Cruz and I shared a much less cosmic or macroeconomic conflict, but a valid conflict nonetheless. In a casual conversation about sketching, we dwelled on the use of leisure and exploratory sketches for commercial exposure – the focal point of the lecture he was to give a few hours from those relaxed moments, sitting on the pier in Ribeira. Meanwhile the rabelo boats sailed up and down the Douro, laden with tourists from everywhere in the world.

Seis anos mudam uma cidade de forma dramática. Foi o tempo que passou desde a minha última visita ao Porto. Tudo ficou um pouco mais bonitinho e com mais multidões. Não sou de me queixar perante as multidões, elas são um bom sinal. O negócio floresce. As pessoas divertem-se e conhecem a cidade bestial que é o Porto. Ainda assim, um conflito surge. Como pode o Porto (ou qualquer outra cidade turística) permanecer genuína se o olhar do Outro a muda para sempre – antropólogos e físicos da quântica lidam com diferentes pontos de vista deste conflito. O Tiago Cruz e eu partilhavamos um conflito muito menos cósmico ou macroeconómico, mas válido, de qualquer modo. Numa conversa casual sobre desenho, versámos sobre o uso do desenho exploratório e prazeirento para uma exibição comercial – o assunto focal da palestra que ele iria dar, algumas horas depois daqueles momentos repousantes, à beira do paredão na Ribeira. Entretanto, os barcos rabelos navegavam para cima e para baixo no Douro, carregados de turistas de todo o mundo.

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From the top deck of the D. Luiz bridge, the touristic masses seemed insignificant. Yet, they had found their way up there. I guess the bridge will remain the same, regardless of the tourists, an elegant steel structure built to resist loads and change.

Do tabuleiro superior da Ponte D. Luiz, as massas de turistas pareciam insignificantes. No entanto, eles tinham descoberto o caminho até lá acima. Bom, ao menos a ponte há-de ficar na mesma, indiferente aos turistas, uma elegante estrutura de aço, erguida para resistir a cargas e à mudança.

A morning in Clérigos

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Porto, or how foreigners say it, Oporto, is the second largest city in Portugal. Although Lisboa’s known as the city of the seven hills (a rip-off from Rome?), Porto is way much hillier. Sitting in the north bank of the winding Douro river, the city pours down along the slopes of dark granite though tight streets, archways and a few ruins. Urban Sketchers Portugal Norte organized a few routes across the city for a sketch meeting – cross sections of Porto’s best. Our journey started in the Largo dos Leões, looking the tower of the Clérigos church, the 18th century baroque icon of Porto.

O Porto, ou como se diz em estrangeiro, Oporto, é a segunda maior cidade em Portugal. Apesar de Lisboa ser conhecida como a cidade das sete colinas (um saque a Roma?), o Porto é bem mais colinoso. Assente sobre a margem norte do Douro, a cidade escorre ao longo das encostas de granito escuro, através de ruas estreitas, arcos e algumas ruínas. Os Urban Sketchers Portugal Norte organizaram alguns percursos ao longo da cidade – cortes transversais ao melhor do Porto. A nossa viagem começou no Largo dos Leões, olhando para a torre da Igreja dos Clérigos, o ícone barroco do Porto.

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The Passeio dos Clérigos, an outdoors shopping mall cuts a contemporary path between the Largo and the landmark. A walkable olive garden covers the shops. Right next to the Clérigos tower, Campo dos Mártires da Pátria and Assunção streets draw the line between the late medieval town and the expansion beyond the city walls. It’s here that we start to notice the traditional street elevations of old Porto, with tight plots and tiled façades.

O Passeio dos Clérigos, um centro comercial de rua a céu aberto, corta uma via contemporânea entre o Largo e a torre setecentista. Um jardim de oliveiras circulável serve-lhe de cobertura. Mesmo ao lado da Torre dos Clérigos, as ruas Campo Mártires da Pátria e da Assunção marcam a fronteira entre a cidade medieval e a expansão para além da muralha fernandina. Aqui, começam-se a notar os tradicionais alçados de rua Portuenses, com lotes estreitos e fachadas em azulejo.