Lessons from Portimão

Whenever I teach in a sketching workshop I end up teaching myself something in the process. Either I manage to sum up my latest work processes and experiments, drawing some unforeseen wisdom off of it, or I remind myself of practices and techniques I hadn’t used in long.

Ao ensinar numa oficina de desenho, acabo sempre por aprender algo no processo. Ou faço uma revisão dos meus processos de trabalho e experiências, recolhendo alguma sabedoria imprevista, ou relembro práticas e técnicas que já não uso há muito.

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In mine and Pedro Alves‘ workshop in Portimão last weekend, the sketches I did on Sunday were heavily influenced by the challenges we had laid upon our students on Saturday. Urban Sketchers Algarve and the Municipality of Portimão invited us to teach a full-day workshop, and we decided to give a a test run to a programme that we had prepared before. It’s called “The narratives of architecture and the people that experience it“, a two-chapter workshop that challenged participants to 1) tell a sketched story of a particular piece of architecture in the town center, and 2) tell the story of the relationship of that piece of architecture with the people using it. This had to be accomplished using simple graphical techniques, such as asymmetrical planes, two-point perspective and foreground/background contrasts.
Na oficina que ensinei com o Pedro Alves no passado fim-de-semana em Portimão, os desenhos que fiz no domingo foram fortemente influenciados pelos desafios que lançámos aos alunos no sábado. Os Urban Sketchers Algarve e o Município de Portimão convidaram-nos para uma oficina de desenho de dia inteiro, e decidimos ensaiar um programa que já tinhamos preparado previamente. Chama-se “Narrativas da arquitectura e das pessoas que a vivem“, uma oficina de dois capítulos que desafiou os participantes a 1) contar a história desenhada de uma peça de arquitectura em particular no centro da cidade, e 2) contar a história da relação dessa peça de arquitectura com as pessoas que a usufruem. Estes desafios tinham de ser cumpridos usando técnicas visuais simples, como planos assimétricos, perspectiva de dois pontos de fuga e contrastes entre planos.
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Framing your story for focus / Enquadramento da história para maior enfoque
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Foreground and background enhancing the story focus in the middleground / Primeiro plano e plano de fundo a destacar a história no plano médio
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Central character in the foreground, people and architecture in the background / A personagem central no primeiro plano, pessoas e arquitectura no plano de fundo
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Keeping the horizon line on the eye level, or on the butt level / Mantendo a linha de horizonte ao nível dos olhos, ou do rabo 

A local teacher decided to enroll her class of 15-year old art students in the workshop, and that proved a mighty challenge for Pedro and I! But, hopefully, it was a rewarding challenge for both us and the participants. Pedro led the first chapter, focused on architecture, and I led the second chapter focused on people related to architecture.

Uma professora local decidiu inscrever a sua turma de alunos de arte de 15 anos, e provou ser um desafio e pêras para o Pedro e para mim! Queremos acreditar que foi uma experiência recompensadora tanto para nós como para os participantes. O Pedro conduziu o primeiro capítulo, focado na arquitectura, e eu conduzi o segundo, focado nas pessoas a relacionarem-se com a arquitectura.

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On Sunday, the Urban Sketchers Algarve gathered to sketch Portimão under the overcast sky. I joined some of the students, sheltered by the great glass box opposite the Town Hall. Having their company as a reminder of the exercises the day before, the sketches became fast and loose, with the intended focus and direction.

No domingo, os Urban Sketchers Algarve juntaram-se para desenhar Portimão debaixo de um céu nublado e chuvoso. Juntei-me a alguns dos alunos, abrigados pela grande caixa de vidro em frente à Câmara Municipal. Com a companhia deles como recordação dos exercícios do dia anterior, os meus desenhos tornaram-se mais rápidos e soltos, com o enfoque e direcção que se pretendia.

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A merry lunch at Porta Velha with everybody, closed the sketch meeting.

A patuscada com todos ao almoço na Porta Velha fechou o encontro de desenho.

Festival Med #4

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One concert I was personally eager to watch – especially after getting to know the artists in the afternoon – was Capicua. She has written some of the best and most relevant lyrics that has been sung in the past years, and the play with words in a northern accent is a delight to listen to, as befits a hip-hop artist from Porto. Capicua brings with her one hell of a crew which includes the energetic backup singer Marta Bateira, best known in Youtube by her character Beatriz Gosta. The surprise of the show was that each song was being digitally illustrated live in the background by the super talented Vítor Ferreira!

Um concerto que eu antecipava com emoção – especialmente depois de ter conhecido os artistas durante a tarde – foi a Capicua. Ela escreveu algumas das melhores e mais pertinentes canções dos últimos anos, e o jogo de palavras com sotaque do norte é uma delícia de se escutar, como convém a uma artista hip-hop do Porto. Capicua traz consigo uma equipa do camandro, que inclui a eléctrica cantora Marta Bateira, mais conhecida no Youtube pela sua personagem Beatriz Gosta. A surpresa do espectáculo for que cada canção foi digitalmente ilustrada ao vivo, no fundo do palco pelo talentoso Vítor Ferreira!

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The town was dead quiet the next morning. Everyone were recovering after three intense days of concerts at Festival Med. Everyone, but a handful of sketchers who just couldn’t get enough.

Na manhã seguinte, as ruas da cidade estavam um deserto. Todos recuperavam depois de três dias intensos de concertos no Festival Med. Todos, excepto uma mão cheia de desenhadores que não descansavam.

Festival Med #3

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As the day turned into evening, the snails on our table were getting cold and the beer cups were getting empty, we knew it was time to get down to business. The sky turned dark on the main façade of the Loulé market. The lights focused suddenly on five musicians sitting atop the edges of the roof. Everybody looked up as this surprise gig by local band Toca Tintas entertained the visitors of Festival Med, making their way into the old town. The band played cheery folk songs for the whole square to hear, making the already long line a fun place to be.

O dia virava noite, os caracóis ficavam frios e os copos de cerveja vazios. Sabiamos que era altura de voltar ao trabalho. O céu escureceu sobre a fachada do mercado de Loulé. Subitamente, as luzes focaram-se nos cinco músicos sentados sobre o beirado do edifício. A multidão olhava para cima enquanto este concerto surpresa da banda local Toca Tintas entretinha os visitantes do Festival Med na entrada principal para a cidade antiga. A banda tocava melodias populares animadas para todo o largo ouvir, tornando a longa fila de entrada um sítio agradável de se estar.

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Tinariwen (ⵜⵏⵔⵓⵏ) were one of the most awaited gigs of the Festival. The innovative crossing between Tuareg music and western blues, mixing the traditional echoing beat of the tindé drum with a whole bunch of guitars – electric and otherwise – and finely blended by sick bass lines, comes from years before, since the band formed, in 1979. Several wars in the countries where the musicians were based didn’t tear this collective apart. Rather, they fed their lyrics – in Tamasheq language – which speak of rebellion within the political and ethnic jigsaw puzzle that is the Sahara Desert region and struggle for life across borders and wars. Their lineup is as fleeting as life in the desert. Tinariwen’s longevity, as well as their celebrity keeps proving that Mali remains a powerhouse of world-class musicians.

Tinariwen (ⵜⵏⵔⵓⵏ) foi um dos concertos mais aguardados do Festival. O encontro inovador entre a musica Tuaregue e o blues ocidental, misturando a batida ecoante tradicional do tambor tindé com um montão de guitarras – eléctricas e não só – e temperada com umas linhas de baixo à campeão, já vem de anos atrás, desde a formação da banda em 1979. As várias guerras que ocorreram nos países onde os músicos se estabeleciam não acabaram com a coesão da banda. Ao invés disso, alimentaram as letras – na língua Tamasheq – que falam de rebeldia dentro do puzzle político e étnico que é a região do Deserto do Sahara e da luta pela sobrevivência através de fronteiras e conflitos. O alinhamento da banda é tão inconstante como a vida no deserto. A longevidade dos Tinariwen, bem como a sua celebridade, continua a provar que o Mali é um poço sem fim de músicos de grande nível.

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Festival Med #2

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Under a scorching sun, the bands scheduled to play during the evening at Festival Med underwent though their sound checks. It was by chance that we stumbled upon Capicua and her entourage tuning up their equipment at the Castelo stage. I had become interested in her music a while ago, and was looking forward for the concert. I wasn’t planning to catch them redhanded at the sound check, let alone being invited to mingle a bit with everybody in the team.

Debaixo de um sol escaldante, as bandas agendadas para tocar durante a noite no Festival Med faziam os seus ensaios de som. Foi por acaso que passámos pelo sítio onde a Capicua e a sua malta afinavam todo o equipamento no palco Castelo. Interessei-me pela sua música há algum tempo e estava com vontade de assistir ao concerto. Não contava apanhá-los em flagrante ensaio, quanto mais ser convidado para a zona do palco para conviver com a equipa.

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A few hugs and kisses, photographs and autographs later, we said our goodbyes and made our way up to the Matriz stage, right next to the main church. A rowdy Bosnian bunch known as the Dubioza Kolektiv were also doing their short soundcheck before returning to the shelter of the backstage. The church stood still and watched while these guys brought a bit of the Balcan dub to this Algarvian quiet town. There was still time for a beer, a few laughs and autographs from all the Kolektiv.

Alguns abraços e beijos, fotografias e autógrafos mais tarde, despedimo-nos e subimos até ao largo onde estava instalado o palco Matriz, mesmo ao lado da igreja matriz. Um turbulento grupo de Bósnios conhecidos como Dubioza Kolektiv faziam também o seu curto ensaio de som, antes de regressarem ao abrigo dos bastidores. A irgreja assistia serena ao dub Balcânico trazido por esta malta à pacata cidade Algarvia. Ainda houve tempo para partilhar uma cerveja, umas gargalhadas e autógraphos de todo o Kolektiv.

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Festival Med #1

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Urban Sketchers Algarve got the Municipality of the small Algarvian town of Loulé to invite a group of sketchers to record one of the largest and most peculiar events in the southern part of the country – Festival Med. It started out thirteen years ago as a Mediterranean music fest, but went on to become a well-known world music festival. The peculiar thing about Med is that it happens on several stages inside the old town. A complex system of guards and fences keeps out those without ticket – thus, inadvertently recreating the market tribute system of medieval towns.

A Câmara Municipal de Loulé, através dos Urban Sketchers Algarve, convidou desenhadores Portugueses a visitar e desenhar a cidade durante um dos maiores e mais peculiares eventos no sul do país – o Festival Med. O que começou há treze anos atrás como um festival de música mediterrânica, veio a tornar-se um reconhecido festival de música do mundo. O especial do Med é que é realizado em diversos palcos no interior da cidade antiga. Um sistema complexo de guardas e grades mantém aqueles sem bilhete fora da cidade – inadvertidamente recreando o sistema de tributo mercantil das cidades medievais.

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Of course one of the entry points of the premises had to be the iconic – and nearly centennial – Loulé’s market. Inside, the fishmongers, fruit sellers, palm readers and meat cutters got the tourists’ attention, while these stepped inside seeking shelter from the sun. The sidestreets were covered with colorful cloths to mitigate the extreme heat. All the while, busy sketchers sketched all their way to lunchtime.

Claro que um dos pontos de entrada no recinto, ou na cidade, teria de ser o icónico – e quase centenário – Mercado de Loulé. Lá dentro, peixeiras, fruteiros, videntes e talhantes chamavam a atenção aos turistas que entravam, abrigando-se do sol. As ruas laterais estavam cobertas por grandes lonas coloridas, para mitigar o calor extremo. No entretanto, desenhadores ocupados desenhavam o seu caminho até à hora do almoço.

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