No Largo da Achada

160922-mouraria

On the top edge of the Largo da Achada, there’s a sheltered alley with a staircase and a few private gardens in a public space. Space is seldom entirely public or entirely private in the old town of Lisboa. There’s also one of the dozens of casas de ressalto existing in the city. These are residential buildings, mostly hailing from the 15th century, with overhanging timber-framed floors, leaning over streets and alleys. A clever way of expanding your real estate, which finds its counterpart in the modern marquises. Clever, but dangerous, as most of these overhanging floors collapsed during the 1755 great earthquake. Despite legislation prohibiting them, they were promptly rebuilt, of course. They now pose picturesquely, waiting for the next big one.

(to be continued)

Na frente mais acima do Largo da Achada, há um beco abrigado do sol, com escadinhas e jardins privados em espaço público. O espaço raramente é completamente público ou completamente privado na Lisboa Velha. Também há uma das dúzias de casas de ressalto existentes na cidade. São edifícios de habitação, na sua maioria oriundos do séc. XV, com andares de estrutura de madeira a projectarem-se sobre as ruas e vielas. Uma forma esperta de expandir os bens imóveis, que encontra o seu espelho nas modernas marquises. Esperta, mas perigosa, já que a maioria destes pisos de resalto colapsaram durante o terramoto de 1755. Apesar da legislação subsequente a proibir os ressaltos, estes foram prontamente reconstruidos, claro. Hoje em dia posam pitorescos, aguardando o grande que aí vem.

(continua)

No Largo da Achada by / por Roque Gameiro

Largo da Achada

160915-mouraria

Lisboa has become a city of street art ever since the Carnation Revolution brought with it thousands of political murals in 1974, right down to the international street art stars Vhils (Artsy link here) and Bordalo II. Many corners and alleys, streets and squares in the old town of Lisboa became showcases for this artform. One of the façades facing the Largo da Achada, a sloped public square with a fountain in its center, was painted by italian street artist Andrea Tarli and depicts a local old lady spraying a selfie-taking hipster tourist – a warning to all tourists taking selfies near old ladies in the mean streets of Lisboa.

(to be continued)

Lisboa tornou-se uma cidade de arte urbana desde o 25 de Abril, que trouxe consigo milhares de murais políticos, até às estrelas internacionais Vhils (link do seu Artsy aqui) e Bordalo II. Muitas esquinas e vielas, ruas e praças da Lisboa Velha tornaram-se montras desta forma de arte. Uma das fachadas que confronta o Largo da Achada, um terreiro inclinado com um chafariz ao centro, foi pintado pelo artista urbano Andrea Tarli e retrata uma velha senhora local a borrifar a cara de um turista-hipster-a-tirar-selfie – um aviso a todos os turistas que andam por aí a tirar selfies ao pé de velhas senhoras nas perigosas ruas de Lisboa.

(continua)

Largo da Achada by / por Roque Gameiro

O Rossio

160913-rossio

There are many words for square in the Portuguese language, each with a specific meaning, or maybe not so much  – praça, largo, terreiro, adro… It so happens that rossio is just another one, as there are several rossios around the country, but there is one which people simply call Rossio. It has another name, an official one, but nobody ever uses it. It’s one of the main squares in Lisboa, and it has had its ups and downs during its history. From there you can spot some of the highlights of the city, including the Carmo convent ruins, which Roque Gameiro decided to focus on. It looms over the hill, a gothic remnant presiding over enlightning-era buildings.

(to be continued)

Na língua Portuguesa há muitas palavras para um alargamento urbano entre edifícios, cada um com o seu significado específico, ou talvez nem por isso – praça, largo, terreiro, adro… Acontece que “rossio” é apenas mais uma, já que existem vários rossios pelo país fora. Mas há um que as pessoas chamam simplesmente de “Rossio”. Tem outro nome, um nome oficial, mas ninguém o usa. É uma das principais praças de Lisboa, já teve os seus altos e baixos durante a sua história. De lá, conseguem-se ver alguns dos pontos fortes da cidade, incluindo as ruínas do convento do Carmo, onde Roque Gameiro se decidiu focar na sua gravura.

(continua)

O Rossio by / por Roque Gameiro

Beco do Castelo

160831-mouraria

Deep in the city center of Lisboa, there are still places that utterly feel like a village. Narrow alleys that creep up the hills and dead ends that lure tourists in for their picturesque scenery, with hanging clothes and ad hoc power cable layouts entangling upon crooked, peeling old walls, custom hanging gardens stretching out to the public row. Nothing is really public nor private here, in Beco do Castelo.

(to be continued)

No centro profundo de Lisboa, ainda há sítios que se parecem aldeias. Travessas estreitas que rastejam colina acima e becos sem saída que atraem turistas em busca do pitoresco, com roupas estendidas e puxadas sobre paredes tortas e descascadas, jardins suspensos personalizados a sobreporem-se à via pública. Nada é realmente público nem privado aqui no Beco do Castelo.

(continua)

Beco do Castelo by / por Roque Gameiro

Rua do Bemformoso

160921-benformoso

The narrow street that runs in the north-south direction, connects Martim Moniz – an area notorious for immigrant-owned businesses such as Chinese clothing stores, Indian grocers, African hairdressers –  to Intendente square – priorly associated with drug trafficking and prostitution, that has since been hipsterizing itself – has become, in the latest years, home to immigrant communities, mostly from the Indian sub-continent. As such, Bangladeshi restaurants, halal butchers and Pakistani tailor shops became a common sight in the Bemformoso street, which also houses dozens of European Erasmus students looking for affordable rents and exotic surroundings in an increasingly expensive city.

(to be continued)

A estreita rua que corre na direcção norte-sul, liga o Martim Moniz – notório pelo comércio imigrante, lojas de roupa Chinesas, mercearias Indianas, cabeleireiros Africanos – ao Intendente – anteriormente associado ao narcotráfico e à prostituição, mas que se tem vindo a hipsterizar – tornou-se nos últimos anos a base de várias comunidades imigrantes, particularmente do sub-continente Indiano. Como tal, restaurantes Bangladeshi, talhos halal e alfaiates Paquistaneses tornaram-se comuns na Rua do Bemformoso, que também alberga dúzias de estudantes Erasmus da Europa, à procura de rendas acessíveis e envolventes exóticas numa Lisboa cada vez mais cara.

(continua)

Rua do Bemformoso by / por Roque Gameiro
Casas na Rua do Bemformoso by / por Roque Gameiro