Road to the USk Symposium #3

USk Manchester Symposium day -2 / Simpósio USk em Manchester dia -2

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The morning in Liverpool was spent revisiting some places from the day before, such as the Mann Island Buildings, designed by Broadway Malyan, or Bold Street, with Saint Luke’s Church peeking from afar. Also, taking a tour through the city bookstores and comic book stores, always a must.

A última manhã em Liverpool foi passada a revisitar alguns lugares do dia anterior, tais como os Edifícios de Mann Island, projecto da Broadway Malyan, ou a Bold Street, com a Igreja de São Lucas a espreitar ao fundo. Também a coscuvilhar as livrarias e lojas de banda desenhada locais. 

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The Liverpool Cathedral was the final exclamation point on the city’s tour. Its construction started in 1906 in a revivalist design gesture by Giles Gilbert Scott – the same architect that designed the Battersea Power Station, the somber, almost post-apocalyptic building in the cover of Pink Floyd’s Animals. Ranging 189 meters in length, it’s the longest cathedral in the world, and it’s quite tall while at it. I always appreciate the lack of added decoration in protestant churches – makes for a better perception of the building’s beauty. An attitude that is usually lacking in catholic temples.

Catedral de Liverpool foi o ponto de exclamação na volta à cidade. Começou a ser construida em 1906 num gesto revivalista de Giles Gilbert Scott – o mesmo arquitecto que projectou a Central Energética de Battersea, o sinistro, quase pós-apocaliptico edifício da capa do álbum Animals, dos Pink Floyd. Com o comprimento de 189 metros, é a catedral mais longa do mundo, e também se ajeita em altura. Aprecio sempre a ausência de decoração adossada nas igrejas protestantes – torna a beleza dos edifícios mais aparente. Uma atitude que normalmente falta nas igrejas católicas. 

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My favourite subject – people – has been seriously neglected in this trip. I was able to make up for it on the train bound for Manchester and at a later venue.

O meu objecto de desenho favorito – as pessoas – tem estado a ser esquecido à séria nesta viagem. Pude tirar a barriga de misérias no comboio para Manchester, e mais tarde, num evento.

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The road to Manchester was finally over, and it took me straight to the City Council square, where I found that, besides hosting the USk International Symposium, Manchester is also the European City of Science and stage to a Jazz Festival. A lot going on around here! This last venue warranted Hobgoblin Beer to set up a pavillion in the square, surrounded by some street food joints and a bunch of tables. Perfect setting to do some sketching.

O caminho para Manchester acabou finalmente, e levou-me directo à praça do City Council, onde descobri que, para além de anfitriã do Simpósio Internacional USk, Manchester é também a Cidade Europeia da Ciência e palco de um Festival de Jazz. Tanto a acontecer por aqui! Este último evento justificou a que a Cervejaria Hobgoblin levantasse um pavilhão na praça, rodeado por bancas de comida de rua e umas quantas mesas de exterior. O dispositivo ideal para ficar a desenhar.

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A concert was starting inside the pavillion moments after the City Council sketch was done, so that was probably no coincidence. I made my way inside the tent, sat on the front row, and couldn’t help but sketch to the funky beat of Portmanteau, an English band with a tremendous amount of energy that got everybody to stand up right at the very end of the concert. Funk is not jazz, but they’ve sure earned their spot at the stage this night! In the end, I managed to mingle a bit with them and even got their autographs.

Começava um concerto dentro do pavilhão, apenas momentos depois de terminar o desenho do City Council – não aceitei o facto como coincidência. Entrei na tenda, sentei-me na fila da frente e não pude evitar desenhar ao som da batida funky dos Portmanteau, uma banda Inglesa com uma energia tremenda e que pôs toda a gende de pé mesmo no final do concerto. Funk não é jazz, mas sem dúvida que eles ganharam o lugar no palco esta noite! No final, ainda pude confraternizar um pouco com a banda e ficar com os seus autógrafos.

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Festival Med #4

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One concert I was personally eager to watch – especially after getting to know the artists in the afternoon – was Capicua. She has written some of the best and most relevant lyrics that has been sung in the past years, and the play with words in a northern accent is a delight to listen to, as befits a hip-hop artist from Porto. Capicua brings with her one hell of a crew which includes the energetic backup singer Marta Bateira, best known in Youtube by her character Beatriz Gosta. The surprise of the show was that each song was being digitally illustrated live in the background by the super talented Vítor Ferreira!

Um concerto que eu antecipava com emoção – especialmente depois de ter conhecido os artistas durante a tarde – foi a Capicua. Ela escreveu algumas das melhores e mais pertinentes canções dos últimos anos, e o jogo de palavras com sotaque do norte é uma delícia de se escutar, como convém a uma artista hip-hop do Porto. Capicua traz consigo uma equipa do camandro, que inclui a eléctrica cantora Marta Bateira, mais conhecida no Youtube pela sua personagem Beatriz Gosta. A surpresa do espectáculo for que cada canção foi digitalmente ilustrada ao vivo, no fundo do palco pelo talentoso Vítor Ferreira!

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The town was dead quiet the next morning. Everyone were recovering after three intense days of concerts at Festival Med. Everyone, but a handful of sketchers who just couldn’t get enough.

Na manhã seguinte, as ruas da cidade estavam um deserto. Todos recuperavam depois de três dias intensos de concertos no Festival Med. Todos, excepto uma mão cheia de desenhadores que não descansavam.

Festival Med #3

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As the day turned into evening, the snails on our table were getting cold and the beer cups were getting empty, we knew it was time to get down to business. The sky turned dark on the main façade of the Loulé market. The lights focused suddenly on five musicians sitting atop the edges of the roof. Everybody looked up as this surprise gig by local band Toca Tintas entertained the visitors of Festival Med, making their way into the old town. The band played cheery folk songs for the whole square to hear, making the already long line a fun place to be.

O dia virava noite, os caracóis ficavam frios e os copos de cerveja vazios. Sabiamos que era altura de voltar ao trabalho. O céu escureceu sobre a fachada do mercado de Loulé. Subitamente, as luzes focaram-se nos cinco músicos sentados sobre o beirado do edifício. A multidão olhava para cima enquanto este concerto surpresa da banda local Toca Tintas entretinha os visitantes do Festival Med na entrada principal para a cidade antiga. A banda tocava melodias populares animadas para todo o largo ouvir, tornando a longa fila de entrada um sítio agradável de se estar.

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Tinariwen (ⵜⵏⵔⵓⵏ) were one of the most awaited gigs of the Festival. The innovative crossing between Tuareg music and western blues, mixing the traditional echoing beat of the tindé drum with a whole bunch of guitars – electric and otherwise – and finely blended by sick bass lines, comes from years before, since the band formed, in 1979. Several wars in the countries where the musicians were based didn’t tear this collective apart. Rather, they fed their lyrics – in Tamasheq language – which speak of rebellion within the political and ethnic jigsaw puzzle that is the Sahara Desert region and struggle for life across borders and wars. Their lineup is as fleeting as life in the desert. Tinariwen’s longevity, as well as their celebrity keeps proving that Mali remains a powerhouse of world-class musicians.

Tinariwen (ⵜⵏⵔⵓⵏ) foi um dos concertos mais aguardados do Festival. O encontro inovador entre a musica Tuaregue e o blues ocidental, misturando a batida ecoante tradicional do tambor tindé com um montão de guitarras – eléctricas e não só – e temperada com umas linhas de baixo à campeão, já vem de anos atrás, desde a formação da banda em 1979. As várias guerras que ocorreram nos países onde os músicos se estabeleciam não acabaram com a coesão da banda. Ao invés disso, alimentaram as letras – na língua Tamasheq – que falam de rebeldia dentro do puzzle político e étnico que é a região do Deserto do Sahara e da luta pela sobrevivência através de fronteiras e conflitos. O alinhamento da banda é tão inconstante como a vida no deserto. A longevidade dos Tinariwen, bem como a sua celebridade, continua a provar que o Mali é um poço sem fim de músicos de grande nível.

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Festival Med #2

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Under a scorching sun, the bands scheduled to play during the evening at Festival Med underwent though their sound checks. It was by chance that we stumbled upon Capicua and her entourage tuning up their equipment at the Castelo stage. I had become interested in her music a while ago, and was looking forward for the concert. I wasn’t planning to catch them redhanded at the sound check, let alone being invited to mingle a bit with everybody in the team.

Debaixo de um sol escaldante, as bandas agendadas para tocar durante a noite no Festival Med faziam os seus ensaios de som. Foi por acaso que passámos pelo sítio onde a Capicua e a sua malta afinavam todo o equipamento no palco Castelo. Interessei-me pela sua música há algum tempo e estava com vontade de assistir ao concerto. Não contava apanhá-los em flagrante ensaio, quanto mais ser convidado para a zona do palco para conviver com a equipa.

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A few hugs and kisses, photographs and autographs later, we said our goodbyes and made our way up to the Matriz stage, right next to the main church. A rowdy Bosnian bunch known as the Dubioza Kolektiv were also doing their short soundcheck before returning to the shelter of the backstage. The church stood still and watched while these guys brought a bit of the Balcan dub to this Algarvian quiet town. There was still time for a beer, a few laughs and autographs from all the Kolektiv.

Alguns abraços e beijos, fotografias e autógrafos mais tarde, despedimo-nos e subimos até ao largo onde estava instalado o palco Matriz, mesmo ao lado da igreja matriz. Um turbulento grupo de Bósnios conhecidos como Dubioza Kolektiv faziam também o seu curto ensaio de som, antes de regressarem ao abrigo dos bastidores. A irgreja assistia serena ao dub Balcânico trazido por esta malta à pacata cidade Algarvia. Ainda houve tempo para partilhar uma cerveja, umas gargalhadas e autógraphos de todo o Kolektiv.

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The trickster

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Mid-March, British trip-hop musician Tricky gave a concert at Aula Magna, in Lisboa. I didn’t knew is music very well, but for the hardcore fans in my company it was a disappointment. While his album is loaded with featured artists, his stage, sadly, was not. Instead, their voices were heard through the magic of electronics. Three men occupied the cluttered stage. The lights were designed to obfuscate the spectator. The smoke hid the few sights that were to be seen. And if you could spot Tricky on stage, chances were he had his back turned to you – reminded me of a scene from Oliver Stone’s The Doors, when Jim Morrison is struggling to face the audience. We didn’t feel very welcome there. It was probably a private venue to which they mistakenly sold tickets for.

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Em meados de Março, o músico trip-hop britânico Tricky deu um concerto na Aula Magna, em Lisboa.  Não conhecia muito bem a sua música, mas para os fãs na minha companhia, o concerto foi uma desilusão. Apesar do seu álbum estar carregado de colaborações com outros artistas, o seu palco, infelizmente, não o estava. Ao invés, as suas vozes faziam-se ouvir através da magia da electrónica. Três homens ocupavam o palco atravancado. As luzes foram desenhadas para ofuscar o espectador. O fumo escondeu as poucas vistas que se tinham. E se apesar disto se conseguisse ver o próprio Tricky no palco, havia a forte possibilidade de ele estar de costas – lembrou-me uma cena do filme The Doors, de Oliver Stone, em que o Jim Morrison se esforça para se virar para a plateia. Não nos sentimos muito bem-vindos ali. Provavelmente era uma festa privada, para a qual, por engano, foram vendidos bilhetes.