Solidarity sardines

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During the festivities of the Santos Populares, the districts of the old town of Lisboa get swarmed by hundreds of thousands of people, relishing on cheesy music, beer, bifanas and the traditional sardinhadas (the act of grilling sardines) that announce Summer as swallows do Spring.

Durante a celebração dos Santos Populares, os bairros da Lisboa velha são invadidos por centenas de milhar de pessoas, deliciando-se com música da boa, cerveja, bifanas e a tradicional sardinhada que anuncia o Verão como as andorinhas a Primavera.

In the heart of Mouraria, the residents of one particular building held a solidarity sardinhada to raise awareness to their dramatic situation. All 16 families living there were given an eviction order by the newly anointed landlord, who wants to capitalize the building as an investment product. While the city hall is moving to improve local infrastructures, few policies seem to prevent the current residents of the old districts of Lisboa from being evicted with little chance of retaining their homes or procuring a reasonably priced alternative, and so, any improvements in the area benefit investors alone.

No coração da Mouraria, os habitantes de um edifício organizaram uma sardinhada solidária para chamar a atenção sobre a sua situação dramática. Foi dada ordem de despejo às 16 famílias que lá vivem, pelo novo proprietário, que quer capitalizar o edifício como um produto de investimento. A Câmara Municipal implementa melhorias na infraestrutura, mas poucas medidas parecem prevenir que os actuais habitantes dos bairros antigos de Lisboa sejam despejados com possibilidades mínimas de manter os seus lares ou encontrar alternativas a um preço razoável. E assim, quaisquer melhorias na área acabam por beneficiar apenas o investidor.

While these residents are more outspoken in their protest – the action attracted the attention of a french camera crew and a few local politicians – their struggle is by far not unique, as the same kind of takeover is happening all around the city, in old and new districts alike. The dramatic result is that housing prices for purchase and rental are skyrocketing all around, becoming inaccessible to the local populations, especially for those who, like the tenants of the Rua dos Lagares 25, have lived their whole lives in the old town of Lisboa.

Enquanto estes habitantes são mais activos no seu protesto – a acção atraiu a atenção de uma câmara francesa e alguns políticos locais – a sua luta não é, de longe, a única, já que o mesmo tipo de problema acontece um pouco por toda a cidade, nos bairros velhos bem como nos novos. O resultado dramático é que os preços de arrendamento ou venda se tornaram estratosféricos, tornando a habitação inacessível às populações locais, particularmente para aqueles que, como os inquilinos da Rua dos Lagares 25, viveram toda a sua vida na Lisboa velha.

Capela de Nossa Senhora da Guia (Rua da Mouraria)

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This old 16th century portal in the edge of the old town of Lisboa, in the area called Mouraria, aparently hides architectural and artistic treasures inside its doors. There’s a police station in what used to be a children’s hospital and later a home for orphan boys. Loads of stories – biblical stories – are told in the walls of the eight flights of stairs that go up the inner patio of the building, in the form of azulejo, the blue painted tiles that are so present in Portuguese monuments.

(to be continued)

Este portal manuelino na extremidade da Lisboa Velha, à entrada da Mouraria, aparentemente esconde no seu âmago tesouros arquitectónicos e artisitcos. Há uma esquadra de polícia a funcionar no que antes era um recolhimeto de órfãos e antes disso um hospital para crianças. Montes de histórias – histórias bíblicas – estão contadas nas paredes dos oito lanços de escadas que sobem pelo pátio interior do edifício, sob a forma de azulejos.

(continua)

Capela de Nossa Senhora da Guia (Rua da Mouraria) by / por Roque Gameiro
Capela de Nossa Senhora da Guia (Rua da Mouraria) by / por Roque Gameiro

No Largo da Achada

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On the top edge of the Largo da Achada, there’s a sheltered alley with a staircase and a few private gardens in a public space. Space is seldom entirely public or entirely private in the old town of Lisboa. There’s also one of the dozens of casas de ressalto existing in the city. These are residential buildings, mostly hailing from the 15th century, with overhanging timber-framed floors, leaning over streets and alleys. A clever way of expanding your real estate, which finds its counterpart in the modern marquises. Clever, but dangerous, as most of these overhanging floors collapsed during the 1755 great earthquake. Despite legislation prohibiting them, they were promptly rebuilt, of course. They now pose picturesquely, waiting for the next big one.

(to be continued)

Na frente mais acima do Largo da Achada, há um beco abrigado do sol, com escadinhas e jardins privados em espaço público. O espaço raramente é completamente público ou completamente privado na Lisboa Velha. Também há uma das dúzias de casas de ressalto existentes na cidade. São edifícios de habitação, na sua maioria oriundos do séc. XV, com andares de estrutura de madeira a projectarem-se sobre as ruas e vielas. Uma forma esperta de expandir os bens imóveis, que encontra o seu espelho nas modernas marquises. Esperta, mas perigosa, já que a maioria destes pisos de resalto colapsaram durante o terramoto de 1755. Apesar da legislação subsequente a proibir os ressaltos, estes foram prontamente reconstruidos, claro. Hoje em dia posam pitorescos, aguardando o grande que aí vem.

(continua)

No Largo da Achada by / por Roque Gameiro
No Largo da Achada by / por Roque Gameiro

Largo da Achada

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Lisboa has become a city of street art ever since the Carnation Revolution brought with it thousands of political murals in 1974, right down to the international street art stars Vhils and Bordalo II. Many corners and alleys, streets and squares in the old town of Lisboa became showcases for this artform. One of the façades facing the Largo da Achada, a sloped public square with a fountain in its center, was painted by italian street artist Andrea Tarli and depicts a local old lady spraying a selfie-taking hipster tourist – a warning to all tourists taking selfies near old ladies in the mean streets of Lisboa.

(to be continued)

Lisboa tornou-se uma cidade de arte urbana desde o 25 de Abril, que trouxe consigo milhares de murais políticos, até às estrelas internacionais Vhils e Bordalo II. Muitas esquinas e vielas, ruas e praças da Lisboa Velha tornaram-se montras desta forma de arte. Uma das fachadas que confronta o Largo da Achada, um terreiro inclinado com um chafariz ao centro, foi pintado pelo artista urbano Andrea Tarli e retrata uma velha senhora local a borrifar a cara de um turista-hipster-a-tirar-selfie – um aviso a todos os turistas que andam por aí a tirar selfies ao pé de velhas senhoras nas perigosas ruas de Lisboa.

(continua)

Largo da Achada by / por Roque Gameiro
Largo da Achada by / por Roque Gameiro

Beco do Castelo

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Deep in the city center of Lisboa, there are still places that utterly feel like a village. Narrow alleys that creep up the hills and dead ends that lure tourists in for their picturesque scenery, with hanging clothes and ad hoc power cable layouts entangling upon crooked, peeling old walls, custom hanging gardens stretching out to the public row. Nothing is really public nor private here, in Beco do Castelo.

(to be continued)

No centro profundo de Lisboa, ainda há sítios que se parecem aldeias. Travessas estreitas que rastejam colina acima e becos sem saída que atraem turistas em busca do pitoresco, com roupas estendidas e puxadas sobre paredes tortas e descascadas, jardins suspensos personalizados a sobreporem-se à via pública. Nada é realmente público nem privado aqui no Beco do Castelo.

(continua)

Beco do Castelo by / por Roque Gameiro
Beco do Castelo by / por Roque Gameiro