Festival Med #4

160702 Loule 10

One concert I was personally eager to watch – especially after getting to know the artists in the afternoon – was Capicua. She has written some of the best and most relevant lyrics that has been sung in the past years, and the play with words in a northern accent is a delight to listen to, as befits a hip-hop artist from Porto. Capicua brings with her one hell of a crew which includes the energetic backup singer Marta Bateira, best known in Youtube by her character Beatriz Gosta. The surprise of the show was that each song was being digitally illustrated live in the background by the super talented Vítor Ferreira!

Um concerto que eu antecipava com emoção – especialmente depois de ter conhecido os artistas durante a tarde – foi a Capicua. Ela escreveu algumas das melhores e mais pertinentes canções dos últimos anos, e o jogo de palavras com sotaque do norte é uma delícia de se escutar, como convém a uma artista hip-hop do Porto. Capicua traz consigo uma equipa do camandro, que inclui a eléctrica cantora Marta Bateira, mais conhecida no Youtube pela sua personagem Beatriz Gosta. A surpresa do espectáculo for que cada canção foi digitalmente ilustrada ao vivo, no fundo do palco pelo talentoso Vítor Ferreira!

160703 Loule 01

The town was dead quiet the next morning. Everyone were recovering after three intense days of concerts at Festival Med. Everyone, but a handful of sketchers who just couldn’t get enough.

Na manhã seguinte, as ruas da cidade estavam um deserto. Todos recuperavam depois de três dias intensos de concertos no Festival Med. Todos, excepto uma mão cheia de desenhadores que não descansavam.

Festival Med #3

160702 Loule 07

As the day turned into evening, the snails on our table were getting cold and the beer cups were getting empty, we knew it was time to get down to business. The sky turned dark on the main façade of the Loulé market. The lights focused suddenly on five musicians sitting atop the edges of the roof. Everybody looked up as this surprise gig by local band Toca Tintas entertained the visitors of Festival Med, making their way into the old town. The band played cheery folk songs for the whole square to hear, making the already long line a fun place to be.

O dia virava noite, os caracóis ficavam frios e os copos de cerveja vazios. Sabiamos que era altura de voltar ao trabalho. O céu escureceu sobre a fachada do mercado de Loulé. Subitamente, as luzes focaram-se nos cinco músicos sentados sobre o beirado do edifício. A multidão olhava para cima enquanto este concerto surpresa da banda local Toca Tintas entretinha os visitantes do Festival Med na entrada principal para a cidade antiga. A banda tocava melodias populares animadas para todo o largo ouvir, tornando a longa fila de entrada um sítio agradável de se estar.

160702 Loule 08

Tinariwen (ⵜⵏⵔⵓⵏ) were one of the most awaited gigs of the Festival. The innovative crossing between Tuareg music and western blues, mixing the traditional echoing beat of the tindé drum with a whole bunch of guitars – electric and otherwise – and finely blended by sick bass lines, comes from years before, since the band formed, in 1979. Several wars in the countries where the musicians were based didn’t tear this collective apart. Rather, they fed their lyrics – in Tamasheq language – which speak of rebellion within the political and ethnic jigsaw puzzle that is the Sahara Desert region and struggle for life across borders and wars. Their lineup is as fleeting as life in the desert. Tinariwen’s longevity, as well as their celebrity keeps proving that Mali remains a powerhouse of world-class musicians.

Tinariwen (ⵜⵏⵔⵓⵏ) foi um dos concertos mais aguardados do Festival. O encontro inovador entre a musica Tuaregue e o blues ocidental, misturando a batida ecoante tradicional do tambor tindé com um montão de guitarras – eléctricas e não só – e temperada com umas linhas de baixo à campeão, já vem de anos atrás, desde a formação da banda em 1979. As várias guerras que ocorreram nos países onde os músicos se estabeleciam não acabaram com a coesão da banda. Ao invés disso, alimentaram as letras – na língua Tamasheq – que falam de rebeldia dentro do puzzle político e étnico que é a região do Deserto do Sahara e da luta pela sobrevivência através de fronteiras e conflitos. O alinhamento da banda é tão inconstante como a vida no deserto. A longevidade dos Tinariwen, bem como a sua celebridade, continua a provar que o Mali é um poço sem fim de músicos de grande nível.

160702 Loule 09

Festival Med #2

160702 Loule 04

Under a scorching sun, the bands scheduled to play during the evening at Festival Med underwent though their sound checks. It was by chance that we stumbled upon Capicua and her entourage tuning up their equipment at the Castelo stage. I had become interested in her music a while ago, and was looking forward for the concert. I wasn’t planning to catch them redhanded at the sound check, let alone being invited to mingle a bit with everybody in the team.

Debaixo de um sol escaldante, as bandas agendadas para tocar durante a noite no Festival Med faziam os seus ensaios de som. Foi por acaso que passámos pelo sítio onde a Capicua e a sua malta afinavam todo o equipamento no palco Castelo. Interessei-me pela sua música há algum tempo e estava com vontade de assistir ao concerto. Não contava apanhá-los em flagrante ensaio, quanto mais ser convidado para a zona do palco para conviver com a equipa.

160702 Loule 05

A few hugs and kisses, photographs and autographs later, we said our goodbyes and made our way up to the Matriz stage, right next to the main church. A rowdy Bosnian bunch known as the Dubioza Kolektiv were also doing their short soundcheck before returning to the shelter of the backstage. The church stood still and watched while these guys brought a bit of the Balcan dub to this Algarvian quiet town. There was still time for a beer, a few laughs and autographs from all the Kolektiv.

Alguns abraços e beijos, fotografias e autógrafos mais tarde, despedimo-nos e subimos até ao largo onde estava instalado o palco Matriz, mesmo ao lado da igreja matriz. Um turbulento grupo de Bósnios conhecidos como Dubioza Kolektiv faziam também o seu curto ensaio de som, antes de regressarem ao abrigo dos bastidores. A irgreja assistia serena ao dub Balcânico trazido por esta malta à pacata cidade Algarvia. Ainda houve tempo para partilhar uma cerveja, umas gargalhadas e autógraphos de todo o Kolektiv.

160702 Loule 06

Festival Med #1

160702 Loule 01

Urban Sketchers Algarve got the Municipality of the small Algarvian town of Loulé to invite a group of sketchers to record one of the largest and most peculiar events in the southern part of the country – Festival Med. It started out thirteen years ago as a Mediterranean music fest, but went on to become a well-known world music festival. The peculiar thing about Med is that it happens on several stages inside the old town. A complex system of guards and fences keeps out those without ticket – thus, inadvertently recreating the market tribute system of medieval towns.

A Câmara Municipal de Loulé, através dos Urban Sketchers Algarve, convidou desenhadores Portugueses a visitar e desenhar a cidade durante um dos maiores e mais peculiares eventos no sul do país – o Festival Med. O que começou há treze anos atrás como um festival de música mediterrânica, veio a tornar-se um reconhecido festival de música do mundo. O especial do Med é que é realizado em diversos palcos no interior da cidade antiga. Um sistema complexo de guardas e grades mantém aqueles sem bilhete fora da cidade – inadvertidamente recreando o sistema de tributo mercantil das cidades medievais.

160702 Loule 02

Of course one of the entry points of the premises had to be the iconic – and nearly centennial – Loulé’s market. Inside, the fishmongers, fruit sellers, palm readers and meat cutters got the tourists’ attention, while these stepped inside seeking shelter from the sun. The sidestreets were covered with colorful cloths to mitigate the extreme heat. All the while, busy sketchers sketched all their way to lunchtime.

Claro que um dos pontos de entrada no recinto, ou na cidade, teria de ser o icónico – e quase centenário – Mercado de Loulé. Lá dentro, peixeiras, fruteiros, videntes e talhantes chamavam a atenção aos turistas que entravam, abrigando-se do sol. As ruas laterais estavam cobertas por grandes lonas coloridas, para mitigar o calor extremo. No entretanto, desenhadores ocupados desenhavam o seu caminho até à hora do almoço.

160702 Loule 03