The Zambujal stories

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The exhibition in Museu Leonel Trindade about the Castro do Zambujal, was the perfect excuse to visit the city of Torres Vedras, last December. It had been years since the last time I was there, and there’s a lot of talented sketchers and watercolorists in the region, worth getting to know. I couldn’t imagine a better way to spend a slow Saturday on the weekend before Christmas.

A exposição no Museu Leonel Trindade sobre o Castro do Zambujal foi a desculpa perfeita para finalmente visitar Torres Vedras, em Dezembro. Passaram-se anos deste a última vez que lá tinha estado, e há na região vários desenhadores e aguarelistas de grande talento que há muito queria conhecer e conviver. Não imagino maneira melhor de passar um pacato sábado no fim-de-semana antes do Natal.

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The museum is based in the former Graça convent, and the exhibition within showed the progress in the archaeological excavations of the nearby Castro do Zambujal, of the Iberian Castro culture (not to be confused with the Caribbean Castro culture). Soon enough, the sun and warm weather had everyone getting outside. The cloister was warm, peaceful and quiet enough for about a dozen sketchers to be sitting around, silent and contemplative.

O museu localiza-se no Convento da Graça, e a exposição mostrava o progresso das escavações arqueológicas do Castro do Zambujal próximo, um sítio da Cultura Ibérica dos Castros (não confundir com a Cultura Caribenha de Castro). Pouco tempo passou até que todos os desenhadores viessem para o exterior, para o sol e o calor do princípio de tarde. O claustro estava quente, pacífico e calmo o suficiente para que uma dúzia de desenhadores estivessem espalhados pelo local, contemplativos e em silêncio.

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By the end of the afternoon, when the sun started to set and the cold breeze threatened to blow, André Duarte Baptista called it a day and held the final “secret santa” sketch raffle. Everybody had been asked to do a sketch in an individual sheet. I had been sketching in the town’s streets beside Pedro Alves. The sketches were raffled and, whad’ya know: I got Pedro’s sketch! That’s pretty much like getting the first prize!

No fim de tarde, quando o sol se começava a por e a brisa fresca ameaçava soprar, o André Duarte Baptista deu por terminado o encontro e organizou o sorteio do “pai natal secreto”. Foi pedido a todos que fizessem um desenho numa folha individual. Eu tinha estado a desenhar nas ruas do centro da cidade ao lado do Pedro Alves. Os desenhos foram sorteados e, vá-se lá saber: ganhei o desenho do Pedro! É mais ou menos como levar o primeiro prémio para casa!

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A Baixa vista do Jardim de S. Pedro de Alcântara

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A strange and sunny day had hit the city when Pedro Alves and I decided it was time to face the mighty challenge of sketching the crown jewel of Roque Gameiro’s portfolio. Beforehand, we had the minor challenge of having to climb half way up the São Roque hill. We’ve been avoiding this because of its time-consuming potential, but an unusually long break from work had blessed us.

From the vantage point, with the whole downtown at our feet, we could pinpoint almost all of the sites where we had sketched in the footsteps of Roque Gameiro through the old town of Lisboa. It was the perfect afternoon to look back on our learning curve while dealing with this challenge and to think about all the good things it has brought us. One final thank you to Pedro Cabral is owed, who challenged the Portuguese sketchers to discover this trail of art.

Um dia estranho e solarengo atingiu a cidade quando o Pedro Alves e eu decidimos que era tempo de enfrentar o desafio de desenhar a jóia da coroa do portfolio de Roque Gameiro. Antes, tivemos o desafio menor de subir meia colina de São Roque. Andávamos a fugir a este desenho por causa do seu potencial consumo de tempo, mas fomos afortunados por um intervalo inesperadamente comprido no trabalho.

Do patamar elevado, com a baixa inteira aos nossos pés, conseguiamos apontar quase todos os locais onde tinhamos desenhado no trilho de Roque Gameiro pela Lisboa Velha. Foi a tarde perfeita para considerar a curva de aprendizagem que haviamos percorrido ao lidar com este desafio e para relembrar tudo o que este exercício nos trouxe. É devido um agradecimento final ao Pedro Cabral, que desafiou os desenhadores Portugueses a desbravar este trilho artístico.

A Baixa vista do Jardim de S. Pedro de Alcântara by / por Roque Gameiro
A Baixa vista do Jardim de S. Pedro de Alcântara by / por Roque Gameiro

Rua do Século (antiga Rua Formosa)

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From the Alto da Cotovia, many stories have rolled down the hill – a cleptomaniac arsonist, doomed construction sites, an underground water reservoir that still exists to this date, with an unconspicuous underground path to São Pedro de Alcântara and branching out in all directions of the hill of the Jesuits. All these stories are already better told that I could ever tell them, right here.

Our story is a much simpler one to tell: having depleted the Roque Gameiro sites in our jurisdiction (those which our lunchtime allows), Pedro Alves, Tomás Reis and I were forced to run uphill to sketch, sheltered from the rain, the next closest site – the start of the Rua do Século. After the work was done, there was barely time enough to find a tasty soup and a tastier schnitzel sandwich in the place that brags about having the best empadas in the city – to be checked.

(to be continued)

Do Alto da Cotovia muitas histórias já rolaram – um pirómano cleptomaníaco, construções falhadas, um reservatório de água subterrâneo que ainda hoje existe, com uma ligação insuspeita ao miradouro de São Pedro de Alcântara e ramificações em todas as direcções da colina Jesuíta. Todas estas histórias já foram bem melhor contadas do que eu o poderia fazer, aqui.

A nossa história é bem mais simples: sem mais locais desenhados por Roque Gameiro na nossa jurisdicção (aqueles que o horário de almoço nos permite alcançar), Pedro Alves, Tomás Reis e eu fomos obrigados a correr pela colina acima para, abrigados da chuva, desenhar o local mais próximo seguinte – o início da Rua do Século. Depois já só havia tempo para descobrir uma bela sopa e uma belíssima sandes de panado, no local que se gaba de ter as melhores empadas de Lisboa – a verificar.

(continua)

Rua do Século (antiga Rua Formosa) by / por Roque Gameiro
Rua do Século (antiga Rua Formosa) by / por Roque Gameiro

Capela de Nossa Senhora da Guia (Rua da Mouraria)

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This old 16th century portal in the edge of the old town of Lisboa, in the area called Mouraria, aparently hides architectural and artistic treasures inside its doors. There’s a police station in what used to be a children’s hospital and later a home for orphan boys. Loads of stories – biblical stories – are told in the walls of the eight flights of stairs that go up the inner patio of the building, in the form of azulejo, the blue painted tiles that are so present in Portuguese monuments.

(to be continued)

Este portal manuelino na extremidade da Lisboa Velha, à entrada da Mouraria, aparentemente esconde no seu âmago tesouros arquitectónicos e artisitcos. Há uma esquadra de polícia a funcionar no que antes era um recolhimeto de órfãos e antes disso um hospital para crianças. Montes de histórias – histórias bíblicas – estão contadas nas paredes dos oito lanços de escadas que sobem pelo pátio interior do edifício, sob a forma de azulejos.

(continua)

Capela de Nossa Senhora da Guia (Rua da Mouraria) by / por Roque Gameiro
Capela de Nossa Senhora da Guia (Rua da Mouraria) by / por Roque Gameiro

No Largo da Achada

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On the top edge of the Largo da Achada, there’s a sheltered alley with a staircase and a few private gardens in a public space. Space is seldom entirely public or entirely private in the old town of Lisboa. There’s also one of the dozens of casas de ressalto existing in the city. These are residential buildings, mostly hailing from the 15th century, with overhanging timber-framed floors, leaning over streets and alleys. A clever way of expanding your real estate, which finds its counterpart in the modern marquises. Clever, but dangerous, as most of these overhanging floors collapsed during the 1755 great earthquake. Despite legislation prohibiting them, they were promptly rebuilt, of course. They now pose picturesquely, waiting for the next big one.

(to be continued)

Na frente mais acima do Largo da Achada, há um beco abrigado do sol, com escadinhas e jardins privados em espaço público. O espaço raramente é completamente público ou completamente privado na Lisboa Velha. Também há uma das dúzias de casas de ressalto existentes na cidade. São edifícios de habitação, na sua maioria oriundos do séc. XV, com andares de estrutura de madeira a projectarem-se sobre as ruas e vielas. Uma forma esperta de expandir os bens imóveis, que encontra o seu espelho nas modernas marquises. Esperta, mas perigosa, já que a maioria destes pisos de resalto colapsaram durante o terramoto de 1755. Apesar da legislação subsequente a proibir os ressaltos, estes foram prontamente reconstruidos, claro. Hoje em dia posam pitorescos, aguardando o grande que aí vem.

(continua)

No Largo da Achada by / por Roque Gameiro
No Largo da Achada by / por Roque Gameiro