Brave new watercolor world

When coloring my sketches, watercolors are my weapon of choice. Ever since a notorious sketching trip to Istanbul, I adopted watercolor as a portable and practical tool, that would quickly turn my usual black and white sketches into lively eye-candy onsite reportages.

Quando pinto os meus desenhos, a aguarela é a minha escolha de arma. Desde uma viagem de desenho a Istambul, adoptei a aguarela como uma ferramenta prática e portátil, que rapidamente tornava os meus pretos e brancos em reportagens gráficas vívidas e apetecíveis.

Lately, for professional reasons, as well as personal influences, I’m shifting more and more into the world of watercolor. That is, having both drawing and coloring play equal roles in the final result. So, the International Watercolor Festival jointly organized by AAPOR and IWS in Torres Vedras was a must visit, if only for one day! The festival featured an exhibition of works by international heavyweight artists like Amit Kapoor or Eleanor Hill, but also Portuguese masters like António Bártolo. There were also demos from the pros and art supplies kiosks.

Ultimamente, por razões profissionais e influências pessoais, estou cada vez mais a entrar no mundo da aguarela. Isto é, a ter o desenho e a cor a desempenhar papéis iguais no resultado final. Assim, o Festival Internacional de Aguarela, organizado em conjunto pela AAPOR e pela IWS em Torres Vedras era obrigatória, mesmo que só por um dia! O festival apresentava uma exposição de obras de pesos-pesados internacionais como Amit Kapoor ou Eleanor Hill, mas também mestres Portugueses como António Bártolo. Também havia demonstrações dos prós e quiosques com material de arte para testar e comprar.

In the late morning, Irina, the Winsor & Newton sales rep in the festival gave a few of us the chance to test, among other materials, a ridiculously thick paper (640g) we decided to dub “Pladur”, after the popular drywall Spanish brand. Its coarse grain is all but incredible to use, but the extra thickness is a feature that I’m still not ready to take advantage of.

Ao final da manhã, a Irina, representante da Winsor & Newton no festival, deu a alguns de nós a oportunidade de testar, entre outros materiais, um papel ridiculamente espesso (640g) que nós decidimos baptizar de “Pladur”, a partir da popular marca Espanhola de gesso cartonado. O grão grosso do papel era apenas incrível de usar, mas a espessura extra é uma característica que ainda não me sinto preparado para tirar partido.

Oeste Sketchers set a sketch meeting for the same day, so I was happy to have a crowd of fellow sketchers to relax, sketch, eat and drink beer with.

Os Oeste Sketchers marcaram encontro no mesmo dia. Foi bom ter companhia de malta do desenho com quem relaxar, desenhar, comer e beber cerveja.

The return of the prodigal sun

170318-minde-01

After several weeks in preparation, the sketches done during the six-month challenge by Pedro Cabral to the Urban Sketchers Portugal has, at last, seen the daylight! Alfredo Roque Gameiro left Minde to work, sketch and paint in the streets of Lisboa in the early 20th century. Last saturday, nearly a hundred sketches, done by over fifty authors, revisiting the original hundred locations depicted by the notorious watercolorist settled in his native town to pay him homage.

Depois de várias semanas de preparação, os desenhos feitos durante o desafio de seis meses proposto pelo Pedro Cabral aos Urban Sketchers Portugal viu, finalmente a luz do dia! Alfredo Roque Gameiro deixou Minde para trabalhar, desenhar e pintar as ruas de Lisboa no princípio do século XX. No último sábado, perto de uma centena de desenhos, feitos por cerca de cinquenta autores, em revista aos cem locais originais desenhados pelo célebre aguarelista estabeleceram-se na sua terra natal em tributo.

170318-minde-02

There was no better place nor better crew to host this exhibition than the Museu de Aguarela Roque Gameiro and its people. The sketches can be seen until the 15th of Abril, when they’ll be regathered for a future exhibition that’s still on the drawing board. Also featured in the museum is the exhibition of original watercolors and illustrations by Alfredo Roque Gameiro himself. To top it off, the building itself, where the museum is based – Casa Açores, with its gardens and annexes – is well worth the visit, having been, in all probability, designed by master architect Raul Lino, as him and Alfredo were known to be good friends.

Não havia melhor sítio nem melhor gente para receber esta exposição que o Museu de Aguarela Roque Gameiro e as pessoas que o mantêm. Os desenhos podem ser vistos até 15 de Abril, altura em que serão reunidos para uma futura exposição que ainda está no estirador. No museu também se pode visitar uma exposição de originais de Alfredo Roque Gameiro, alguns deles, ilustrações feitas para uma edição d’As Pupilas do Senhor Reitor. Por cima de tudo, o próprio edifício onde se localiza o museu – a Casa Açores, com os seus jardins e anexos – vale bem a visita, tendo sido, em toda a probabilidade, projectada por Raul Lino, já que ele e Alfredo eram bons amigos.

170318-minde-03

The sketch meeting that opened the exhibition gathered about 20 sketchers in the museum grounds. Some even explored the weaving workshop where the beautiful local woolen blankets are made, and the town itself. In the late afternoon, the local Charales Chorus gifted us some fine gospel and other tunes for the road back home.

O encontro de desenho que inaugurou a exposição juntou cerca de 20 desenhadores no museu. Alguns até exploraram o atelier de tecelagem onde se fazem as belas mantas de lã de Minde, e a própria vila. Ao fim da tarde, o grupo local Charales Chorus ofereceu-nos um belo gospel e umas outras melodias para o caminho de volta a casa.

img_20170318_130149

Traç/zo 16 – an Iberian affair #3

161015-elvas-01

The sharp angles of the Forte da Graça create high contrast shadows and defined planes, excellent setting for beginner and intermediate sketchers that want to study shading in their work.

Os ângulos agudos do Forte da Graça criam sombras de alto contraste e planos definidos, um cenário excelente para desenhadores estreantes e intermédios que pretendam estudar sombras no seu trabalho.

161016-elvas

In fact, most of the town of Elvas is such a setting. The buildings are mostly utilitarian – grain mills, star forts and simple Alentejo popular architecture. The fort overlooks on the road that leads to the train station. Tractors still drive through it on their way to the fields. Meanwhile, on the moon of Endor, two scout troopers on speeder bikes patrol the sanctuary forests for rebel commandos.

Com efeito, muitos sítios em Elvas têm tal cenário. Muitos dos edifícios são predominantemente utilitários – moagens e armazenamento de cereais, fortificações em estrela e arquitectura vernácula Alentejana. O forte espreita ao longo da estrada que leva à estação de comboio. Ainda passam tractores nesta estrada, a caminho dos campos. Entretanto, na lua de Endor, dois scout troopers em speeder bikes patrulham as florestas do santuário procurando comandos rebeldes.

161016-olivenza

Later in the day, after Traço ’16 was over, Miguel and I went for a short visit to the only disputed territory between Portugal and Spain: the border town of Olivenza/Olivença. The town, originally under Portuguese rule, came into the hands of the Spanish crown after the Napoleonic Wars. Different interpretations by the two countries of the Congress of Vienna (1814-15) gave rise to a dispute lasting to today. It is the only territorial dispute Portugal has in the CIA Factbook.

The street signs are bilingual, and some of the street names are entirely different. So if you live in Olivenza, you may end up with two different valid addresses.

Ao fim da tarde, quando o Traço ’16 já tinha terminado, o Miguel e eu fizemos uma visita rápida ao único território disputado entre Portugal e Espanha: a cidade fronteiriça de Olivenza/Olivença. A cidade, originalmente em território Português, caiu nas mãos dos Espanhóis depois das Invasões Napoleónicas. Interpretações diferentes dos resultados do Congresso de Vienna (1814-15) deram origem a uma disputa que ainda hoje se mantém. É a única disputa territorial Portuguesa registada no CIA Factbook.

As placas com os nomes de ruas são bilingues, e alguns dos nomes são inteiramente diferentes nas duas línguas. Vivendo em Olivença, podem ter-se duas moradas diferentes válidas.

Traç/zo 16 – an Iberian affair #2

161015-elvas-03

Traço ’16, Elvas drawing festival’s clever logo, designed by João Sequeira, manages to communicate both Portuguese and Spanish writing of the word traço (meaning line stroke, pronounced «trasso»), aiming for an Iberian audience. The four-day festival, that aims to become annual, successfully managed to gather sketchers, artists, illustrators, comic book authors, architects and designers, form both Portugal and Spain, in the picturesque UNESCO World Heritage site Forte da Graça.

O logótipo do Traço ’16, Festival de desenho de Elvas, criado por João Sequeira, consegue comunicar tanto a grafia Portuguesa como a Espanhola da palavra traço, apontando para uma plateia Ibérica. O festival de quatro dias, que ambiciona tornar-se anual, juntou desenhadores, artistas, ilustradores e autores de banda desenhada, arquitectos e designers, de ambos os países, no pitoresco Forte da Graça, património mundial da UNESCO.

161015-elvas-03b

The final talk of the day was a conversation with Borja González, a Spanish illustrator, and Paulo Monteiro, the Portuguese director of the Bedeteca de Beja (Beja comic book library). There was a long discussion about the state of the comic book market in both countries, where Borja spoke of how comics are a very successful industry in Spain right now and Paulo had but dire news about the Portuguese editorial panorama – where many talented authors and many good-willed editors exist, but the market is just too small for critical mass to be achieved (as it already happened in Spain). The solution for the small market challenge might reside in a self-effort from the authors to export their own work.

A palestra final do sábado foi uma conversa entre Borja González, um ilustrador Espanhol, e Paulo Monteiro, director da Bedeteca de Beja. Gerou-se um longo debate sobre o estado do mercado de banda desenhada em ambos os países, no qual Borja conta como a banda desenhada se tornou num sector de sucesso nos últimos anos, todavia o Paulo trazia notícias mais negras sobre o panorama editorial Português – onde existem muitos autores talentosos e editores bem intencionados, mas o mercado é simplesmente demasiado pequeno para se atingir a massa crítica (como já sucedeu em Espanha). A solução para o desafio do mercado pequeno poderá residir num esforço dos próprios autores em exportarem directamente o seu trabalho.

161015-elvas-03a

The Forte da Graça overlooks upon the north face of the fortified town of Elvas. As the sun goes down, the sharp northern slope gets darker and darker.

O Forte da Graça espreita de cima a face norte da cidade fortificada de Elvas. À medida que o sol se põe, a íngreme encosta norte adquire tons mais e mais escuros.

Traç/zo 16 – an Iberian affair #1

161015-elvas-02

The Graça Fort is a unique military architecture structure, built in the second half of the 18th century, under the Count of Lippe, as a means to secure the highest ground in the region, just north of the town. The strategic relevance of the Graça hill, where the fort was built, became evident about a century before, during the Restoration War, when the Spanish army bombarded the town of Elvas from the vantage point, some 60 meters above the town’s castle. Its ramparts, moats and bastions are organized according to the star fort dutch model.

Forte da Graça é uma peça de arquitectura militar única, construida na segunda metade do séc. XVIII, sob as ordens do Conde de Lippe, por necessidade de segurar o ponto mais alto da região, a norte da cidade. A importância estratégica do Monte da Graça, onde foi construido o Forte, tornou-se clara cerca de um século antes, durante a Guerra da Restauração, quando o exército Espanhol, a partir deste ponto sobranceiro, bombardeou a cidade de Elvas, cujo castelo se encontra a cerca de 60 metros abaixo do topo do monte. As suas muralhas, fossos e baluartes estão organizados de acordo com o modelo holandês de fortificação em estrela.

161015-elvas-02a

This was the setting for Traço ’16 – Elvas Drawing Festival, which during four days liven up the old fortress with exhibitions by illustrators and comic book artists from both sides of the Iberian border, drawing workshops, lectures, a theatrical performance and a national Urban Sketchers meeting.

Este foi o cenário do Traço ’16 – Festival de Desenho de Elvas, que durante quatro dias animou a velha fortaleza com exposições de ilustradores e autores de banda desenhada de ambos os lados da fronteira Ibérica, oficinas de desenho, palestras, uma performance teatral e um encontro nacional de Urban Sketchers.

161015-elvas-02b