Traç/zo 16 – an Iberian affair #3

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The sharp angles of the Forte da Graça create high contrast shadows and defined planes, excellent setting for beginner and intermediate sketchers that want to study shading in their work.

Os ângulos agudos do Forte da Graça criam sombras de alto contraste e planos definidos, um cenário excelente para desenhadores estreantes e intermédios que pretendam estudar sombras no seu trabalho.

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In fact, most of the town of Elvas is such a setting. The buildings are mostly utilitarian – grain mills, star forts and simple Alentejo popular architecture. The fort overlooks on the road that leads to the train station. Tractors still drive through it on their way to the fields. Meanwhile, on the moon of Endor, two scout troopers on speeder bikes patrol the sanctuary forests for rebel commandos.

Com efeito, muitos sítios em Elvas têm tal cenário. Muitos dos edifícios são predominantemente utilitários – moagens e armazenamento de cereais, fortificações em estrela e arquitectura vernácula Alentejana. O forte espreita ao longo da estrada que leva à estação de comboio. Ainda passam tractores nesta estrada, a caminho dos campos. Entretanto, na lua de Endor, dois scout troopers em speeder bikes patrulham as florestas do santuário procurando comandos rebeldes.

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Later in the day, after Traço ’16 was over, Miguel and I went for a short visit to the only disputed territory between Portugal and Spain: the border town of Olivenza/Olivença. The town, originally under Portuguese rule, came into the hands of the Spanish crown after the Napoleonic Wars. Different interpretations by the two countries of the Congress of Vienna (1814-15) gave rise to a dispute lasting to today. It is the only territorial dispute Portugal has in the CIA Factbook.

The street signs are bilingual, and some of the street names are entirely different. So if you live in Olivenza, you may end up with two different valid addresses.

Ao fim da tarde, quando o Traço ’16 já tinha terminado, o Miguel e eu fizemos uma visita rápida ao único território disputado entre Portugal e Espanha: a cidade fronteiriça de Olivenza/Olivença. A cidade, originalmente em território Português, caiu nas mãos dos Espanhóis depois das Invasões Napoleónicas. Interpretações diferentes dos resultados do Congresso de Vienna (1814-15) deram origem a uma disputa que ainda hoje se mantém. É a única disputa territorial Portuguesa registada no CIA Factbook.

As placas com os nomes de ruas são bilingues, e alguns dos nomes são inteiramente diferentes nas duas línguas. Vivendo em Olivença, podem ter-se duas moradas diferentes válidas.

Traç/zo 16 – an Iberian affair #2

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Traço ’16, Elvas drawing festival’s clever logo, designed by João Sequeira, manages to communicate both Portuguese and Spanish writing of the word traço (meaning line stroke, pronounced «trasso»), aiming for an Iberian audience. The four-day festival, that aims to become annual, successfully managed to gather sketchers, artists, illustrators, comic book authors, architects and designers, form both Portugal and Spain, in the picturesque UNESCO World Heritage site Forte da Graça.

O logótipo do Traço ’16, Festival de desenho de Elvas, criado por João Sequeira, consegue comunicar tanto a grafia Portuguesa como a Espanhola da palavra traço, apontando para uma plateia Ibérica. O festival de quatro dias, que ambiciona tornar-se anual, juntou desenhadores, artistas, ilustradores e autores de banda desenhada, arquitectos e designers, de ambos os países, no pitoresco Forte da Graça, património mundial da UNESCO.

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The final talk of the day was a conversation with Borja González, a Spanish illustrator, and Paulo Monteiro, the Portuguese director of the Bedeteca de Beja (Beja comic book library). There was a long discussion about the state of the comic book market in both countries, where Borja spoke of how comics are a very successful industry in Spain right now and Paulo had but dire news about the Portuguese editorial panorama – where many talented authors and many good-willed editors exist, but the market is just too small for critical mass to be achieved (as it already happened in Spain). The solution for the small market challenge might reside in a self-effort from the authors to export their own work.

A palestra final do sábado foi uma conversa entre Borja González, um ilustrador Espanhol, e Paulo Monteiro, director da Bedeteca de Beja. Gerou-se um longo debate sobre o estado do mercado de banda desenhada em ambos os países, no qual Borja conta como a banda desenhada se tornou num sector de sucesso nos últimos anos, todavia o Paulo trazia notícias mais negras sobre o panorama editorial Português – onde existem muitos autores talentosos e editores bem intencionados, mas o mercado é simplesmente demasiado pequeno para se atingir a massa crítica (como já sucedeu em Espanha). A solução para o desafio do mercado pequeno poderá residir num esforço dos próprios autores em exportarem directamente o seu trabalho.

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The Forte da Graça overlooks upon the north face of the fortified town of Elvas. As the sun goes down, the sharp northern slope gets darker and darker.

O Forte da Graça espreita de cima a face norte da cidade fortificada de Elvas. À medida que o sol se põe, a íngreme encosta norte adquire tons mais e mais escuros.

Traç/zo 16 – an Iberian affair #1

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The Graça Fort is a unique military architecture structure, built in the second half of the 18th century, under the Count of Lippe, as a means to secure the highest ground in the region, just north of the town. The strategic relevance of the Graça hill, where the fort was built, became evident about a century before, during the Restoration War, when the Spanish army bombarded the town of Elvas from the vantage point, some 60 meters above the town’s castle. Its ramparts, moats and bastions are organized according to the star fort dutch model.

Forte da Graça é uma peça de arquitectura militar única, construida na segunda metade do séc. XVIII, sob as ordens do Conde de Lippe, por necessidade de segurar o ponto mais alto da região, a norte da cidade. A importância estratégica do Monte da Graça, onde foi construido o Forte, tornou-se clara cerca de um século antes, durante a Guerra da Restauração, quando o exército Espanhol, a partir deste ponto sobranceiro, bombardeou a cidade de Elvas, cujo castelo se encontra a cerca de 60 metros abaixo do topo do monte. As suas muralhas, fossos e baluartes estão organizados de acordo com o modelo holandês de fortificação em estrela.

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This was the setting for Traço ’16 – Elvas Drawing Festival, which during four days liven up the old fortress with exhibitions by illustrators and comic book artists from both sides of the Iberian border, drawing workshops, lectures, a theatrical performance and a national Urban Sketchers meeting.

Este foi o cenário do Traço ’16 – Festival de Desenho de Elvas, que durante quatro dias animou a velha fortaleza com exposições de ilustradores e autores de banda desenhada de ambos os lados da fronteira Ibérica, oficinas de desenho, palestras, uma performance teatral e um encontro nacional de Urban Sketchers.

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Pilgrims of Vila Boim / Romeiros de Vila Boim

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In celebration of the second edition of what is starting to become the Frontier Sketching Bienalle, AIAR, ADC organized a sketch meeting during the pilgrimage, in partnership with the Vila Boim Pilgrimage Association (ARVB).

Celebrando o segundo ciclo do que se começa a assumir como a Bienal de Desenho da Raia, A AIAR, ADC, organizou, em parceria com a Associação de Romeiros de Vila Boim (ARVB), um encontro de desenhadores em plena romaria.

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The lost tradition of this pilgrimage was recovered by the people at ARVB, in an effort to preserve the tradition and the folklore of the region. The trail follows the old pilgrimage route used until the mid-20th century. Starting from Vila Boim, stopping midway for a snack and for the beasts of burden to rest, going through the historical center of Elvas and back to the camping site for the pilgrims in the Feira de São Mateus – or to the sanctuary of Senhor da Piedade in Elvas.

A tradição perdida da romaria tem vindo a ser recuperada pela ARVB por uma questão de folclore e manutenção das tradições. O percurso emula o antigo trilho dos romeiros feito até a meio do século passado. Parte de Vila Boim, parando a meio caminho para farnel e descanso dos animais, passando pelo centro histórico de Elvas e culminando na zona de acampamento dos romeiros da Feira de São Mateus – ou no santuário do Senhor da Piedade – em Elvas.

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The carriages, two- or four-wheeled and of different sizes, are driven by their owners, all members of ARVB. Along the path, one mingles with the people next to you in the carriage. At the resting stop, the pilgrims break bread and share their delicacies in their typical cork containers or coolboxes. They even take the opportunity to pitch deals for each other’s beasts of burden.

As carroças – ou churriões – de duas ou quatro rodas e de diferentes tamanhos, são conduzidas pelos seus donos membros da ARVB. No caminho, conversa-se com as pessoas ao lado. Na paragem de descanso, convive-se e come-se com a gente das outras carroças. É boa oportunidade até para fazer negócio com os animais de carga, que até ao final da romaria podem já ter um novo dono.

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Some of the pilgrims dress accurately, with wardrobe of the cattlemen of old. Judging from some of the younger girls, one could easily think we were on a filming set of a 50s western.

Alguns dos romeiros vestem-se a rigor, com os trajes das gentes do passado e de criadores de animais. Julgando por algumas das raparigas, poderiamos facilmente pensar que estavamos no set de filmagens de uma cauboiada dos anos 50.

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In the end, next to the donkeys, horses and carriages and sheltered by large canopies, pilgrims and sketchers rest from the shaky journey, wallowing in a garlick     y açorda, sausages and beer.

No final, à vista dos animais e das carroças, abrigados por toldos grandes, romeiros e desenhadores descansam da viagem sacudida, refastelando-se com uma açorda a granel, enchidos e cerveja.

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Windowsketching in Elvas

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Elvas, the archetypal Portuguese border town, was the stage of an Urban Sketchers Portugal meeting in the spring of 2013. Soon after, it became a UNESCO World Heritage Site.

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Although, a very important city and military outpost in days long gone, and despite the recent UNESCO status attribution, Elvas is still subject to the desertification process that haunts the country’s inland regions. As such, lots of stores are closed, abandoned, covered up in newspaper, waiting for better times.

AIAR is a regional Association that confronts these challenges head-on, using the rich local culture and capitalizing on the UNESCO status. They had a simple but effective and innovative idea: to use the hundreds of sketches produced by the dozens of sketchers in those busy days of the meeting, to decorate the streets of Elvas, using the windows of the closed down shops as frames. The widened sketches now give a purpose to the deserted façades, and convey a sense of hope in that the less sketches there are on the streets, the more lively commerce will be.

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I didn’t attend the meeting in 2013, but I had the opportunity to contribute to the street exhibition with a sketch made this summer. Christmas in Elvas became a little sketchier thanks to AIAR.

(Catch up on the whole story here)

Thank you Patrícia Canastreiro for the photos!