Amadora BD ’16

The main comic book festival in Portugal happens yearly in the capital’s suburb of Amadora.  Although it is constantly under the risk of being culturally overwhelmed by Lisboa, and lying just northwest of the city, Amadora prides itself of being an autonomous cultural hub in the Metropolitan Area, and the comic book festival is a long-standing venue in the town, showcasing authors, exhibitions and works both domestic and foreign for 26 years now.

O principal festival de banda desenhada em Portugal acontece anualmente na Amadora. Apesar de estar sob risco constante de ser culturalmente dominada por Lisboa, e apenas a um pulo a noroeste do centro da cidade, a Amadora orgulha-se de ser um forte pólo cultural autónomo na Área Metropolitana, e o festival de BD é um certame de longa história, mostrando autores, exposições e obras de banda desenhada tanto nacionais como estrangeiras há já 26 anos.

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While stockpiling there on comics for the coming winter, I bought Vampiros, a graphic novel about a Colonial War commando dealing with their own terrors on an undercover mission to Senegal. It was ilustrated by Juan Cavia and written by Filipe Melo and, by chance, the latter was in the venue signing books. Being the talkative type, the queue went for ages, as he gave all his fans equal attention. But it was worth it, because while Filipe sketched his elaborate autograph in the black endpaper, I got to sketch him, daydreaming about his own characters in the jungle. Great exchange!

Enquanto açambarcava BD para o inverno vindouro, comprei o Vampiros, uma novela gráfica sobre os soldados de um comando da Guerra do Ultramar lidando com os seus próprios terrores numa missão clandestina ao Senegal. Foi desenhada pelo Juan Cavia e escrita pelo Filipe Melo, que, por sorte, estava lá a autografar livros. Sendo do tipo que gosta de conversar, a fila demorou, já que ele deu igual atenção a todos os seus fãs. Mas valeu a pena, porque enquanto o Filipe desenhava o seu elaborado autógrafo na folha de forro preta, eu pude desenhá-lo a sonhar acordado com as suas próprias personagens na selva. Boa troca!

Traç/zo 16 – an Iberian affair #3

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The sharp angles of the Forte da Graça create high contrast shadows and defined planes, excellent setting for beginner and intermediate sketchers that want to study shading in their work.

Os ângulos agudos do Forte da Graça criam sombras de alto contraste e planos definidos, um cenário excelente para desenhadores estreantes e intermédios que pretendam estudar sombras no seu trabalho.

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In fact, most of the town of Elvas is such a setting. The buildings are mostly utilitarian – grain mills, star forts and simple Alentejo popular architecture. The fort overlooks on the road that leads to the train station. Tractors still drive through it on their way to the fields. Meanwhile, on the moon of Endor, two scout troopers on speeder bikes patrol the sanctuary forests for rebel commandos.

Com efeito, muitos sítios em Elvas têm tal cenário. Muitos dos edifícios são predominantemente utilitários – moagens e armazenamento de cereais, fortificações em estrela e arquitectura vernácula Alentejana. O forte espreita ao longo da estrada que leva à estação de comboio. Ainda passam tractores nesta estrada, a caminho dos campos. Entretanto, na lua de Endor, dois scout troopers em speeder bikes patrulham as florestas do santuário procurando comandos rebeldes.

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Later in the day, after Traço ’16 was over, Miguel and I went for a short visit to the only disputed territory between Portugal and Spain: the border town of Olivenza/Olivença. The town, originally under Portuguese rule, came into the hands of the Spanish crown after the Napoleonic Wars. Different interpretations by the two countries of the Congress of Vienna (1814-15) gave rise to a dispute lasting to today. It is the only territorial dispute Portugal has in the CIA Factbook.

The street signs are bilingual, and some of the street names are entirely different. So if you live in Olivenza, you may end up with two different valid addresses.

Ao fim da tarde, quando o Traço ’16 já tinha terminado, o Miguel e eu fizemos uma visita rápida ao único território disputado entre Portugal e Espanha: a cidade fronteiriça de Olivenza/Olivença. A cidade, originalmente em território Português, caiu nas mãos dos Espanhóis depois das Invasões Napoleónicas. Interpretações diferentes dos resultados do Congresso de Vienna (1814-15) deram origem a uma disputa que ainda hoje se mantém. É a única disputa territorial Portuguesa registada no CIA Factbook.

As placas com os nomes de ruas são bilingues, e alguns dos nomes são inteiramente diferentes nas duas línguas. Vivendo em Olivença, podem ter-se duas moradas diferentes válidas.

Traç/zo 16 – an Iberian affair #2

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Traço ’16, Elvas drawing festival’s clever logo, designed by João Sequeira, manages to communicate both Portuguese and Spanish writing of the word traço (meaning line stroke, pronounced «trasso»), aiming for an Iberian audience. The four-day festival, that aims to become annual, successfully managed to gather sketchers, artists, illustrators, comic book authors, architects and designers, form both Portugal and Spain, in the picturesque UNESCO World Heritage site Forte da Graça.

O logótipo do Traço ’16, Festival de desenho de Elvas, criado por João Sequeira, consegue comunicar tanto a grafia Portuguesa como a Espanhola da palavra traço, apontando para uma plateia Ibérica. O festival de quatro dias, que ambiciona tornar-se anual, juntou desenhadores, artistas, ilustradores e autores de banda desenhada, arquitectos e designers, de ambos os países, no pitoresco Forte da Graça, património mundial da UNESCO.

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The final talk of the day was a conversation with Borja González, a Spanish illustrator, and Paulo Monteiro, the Portuguese director of the Bedeteca de Beja (Beja comic book library). There was a long discussion about the state of the comic book market in both countries, where Borja spoke of how comics are a very successful industry in Spain right now and Paulo had but dire news about the Portuguese editorial panorama – where many talented authors and many good-willed editors exist, but the market is just too small for critical mass to be achieved (as it already happened in Spain). The solution for the small market challenge might reside in a self-effort from the authors to export their own work.

A palestra final do sábado foi uma conversa entre Borja González, um ilustrador Espanhol, e Paulo Monteiro, director da Bedeteca de Beja. Gerou-se um longo debate sobre o estado do mercado de banda desenhada em ambos os países, no qual Borja conta como a banda desenhada se tornou num sector de sucesso nos últimos anos, todavia o Paulo trazia notícias mais negras sobre o panorama editorial Português – onde existem muitos autores talentosos e editores bem intencionados, mas o mercado é simplesmente demasiado pequeno para se atingir a massa crítica (como já sucedeu em Espanha). A solução para o desafio do mercado pequeno poderá residir num esforço dos próprios autores em exportarem directamente o seu trabalho.

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The Forte da Graça overlooks upon the north face of the fortified town of Elvas. As the sun goes down, the sharp northern slope gets darker and darker.

O Forte da Graça espreita de cima a face norte da cidade fortificada de Elvas. À medida que o sol se põe, a íngreme encosta norte adquire tons mais e mais escuros.

Traç/zo 16 – an Iberian affair #1

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The Graça Fort is a unique military architecture structure, built in the second half of the 18th century, under the Count of Lippe, as a means to secure the highest ground in the region, just north of the town. The strategic relevance of the Graça hill, where the fort was built, became evident about a century before, during the Restoration War, when the Spanish army bombarded the town of Elvas from the vantage point, some 60 meters above the town’s castle. Its ramparts, moats and bastions are organized according to the star fort dutch model.

Forte da Graça é uma peça de arquitectura militar única, construida na segunda metade do séc. XVIII, sob as ordens do Conde de Lippe, por necessidade de segurar o ponto mais alto da região, a norte da cidade. A importância estratégica do Monte da Graça, onde foi construido o Forte, tornou-se clara cerca de um século antes, durante a Guerra da Restauração, quando o exército Espanhol, a partir deste ponto sobranceiro, bombardeou a cidade de Elvas, cujo castelo se encontra a cerca de 60 metros abaixo do topo do monte. As suas muralhas, fossos e baluartes estão organizados de acordo com o modelo holandês de fortificação em estrela.

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This was the setting for Traço ’16 – Elvas Drawing Festival, which during four days liven up the old fortress with exhibitions by illustrators and comic book artists from both sides of the Iberian border, drawing workshops, lectures, a theatrical performance and a national Urban Sketchers meeting.

Este foi o cenário do Traço ’16 – Festival de Desenho de Elvas, que durante quatro dias animou a velha fortaleza com exposições de ilustradores e autores de banda desenhada de ambos os lados da fronteira Ibérica, oficinas de desenho, palestras, uma performance teatral e um encontro nacional de Urban Sketchers.

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Road to the USk Symposium #3

USk Manchester Symposium day -2 / Simpósio USk em Manchester dia -2

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The morning in Liverpool was spent revisiting some places from the day before, such as the Mann Island Buildings, designed by Broadway Malyan, or Bold Street, with Saint Luke’s Church peeking from afar. Also, taking a tour through the city bookstores and comic book stores, always a must.

A última manhã em Liverpool foi passada a revisitar alguns lugares do dia anterior, tais como os Edifícios de Mann Island, projecto da Broadway Malyan, ou a Bold Street, com a Igreja de São Lucas a espreitar ao fundo. Também a coscuvilhar as livrarias e lojas de banda desenhada locais. 

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The Liverpool Cathedral was the final exclamation point on the city’s tour. Its construction started in 1906 in a revivalist design gesture by Giles Gilbert Scott – the same architect that designed the Battersea Power Station, the somber, almost post-apocalyptic building in the cover of Pink Floyd’s Animals. Ranging 189 meters in length, it’s the longest cathedral in the world, and it’s quite tall while at it. I always appreciate the lack of added decoration in protestant churches – makes for a better perception of the building’s beauty. An attitude that is usually lacking in catholic temples.

Catedral de Liverpool foi o ponto de exclamação na volta à cidade. Começou a ser construida em 1906 num gesto revivalista de Giles Gilbert Scott – o mesmo arquitecto que projectou a Central Energética de Battersea, o sinistro, quase pós-apocaliptico edifício da capa do álbum Animals, dos Pink Floyd. Com o comprimento de 189 metros, é a catedral mais longa do mundo, e também se ajeita em altura. Aprecio sempre a ausência de decoração adossada nas igrejas protestantes – torna a beleza dos edifícios mais aparente. Uma atitude que normalmente falta nas igrejas católicas. 

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My favourite subject – people – has been seriously neglected in this trip. I was able to make up for it on the train bound for Manchester and at a later venue.

O meu objecto de desenho favorito – as pessoas – tem estado a ser esquecido à séria nesta viagem. Pude tirar a barriga de misérias no comboio para Manchester, e mais tarde, num evento.

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The road to Manchester was finally over, and it took me straight to the City Council square, where I found that, besides hosting the USk International Symposium, Manchester is also the European City of Science and stage to a Jazz Festival. A lot going on around here! This last venue warranted Hobgoblin Beer to set up a pavillion in the square, surrounded by some street food joints and a bunch of tables. Perfect setting to do some sketching.

O caminho para Manchester acabou finalmente, e levou-me directo à praça do City Council, onde descobri que, para além de anfitriã do Simpósio Internacional USk, Manchester é também a Cidade Europeia da Ciência e palco de um Festival de Jazz. Tanto a acontecer por aqui! Este último evento justificou a que a Cervejaria Hobgoblin levantasse um pavilhão na praça, rodeado por bancas de comida de rua e umas quantas mesas de exterior. O dispositivo ideal para ficar a desenhar.

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A concert was starting inside the pavillion moments after the City Council sketch was done, so that was probably no coincidence. I made my way inside the tent, sat on the front row, and couldn’t help but sketch to the funky beat of Portmanteau, an English band with a tremendous amount of energy that got everybody to stand up right at the very end of the concert. Funk is not jazz, but they’ve sure earned their spot at the stage this night! In the end, I managed to mingle a bit with them and even got their autographs.

Começava um concerto dentro do pavilhão, apenas momentos depois de terminar o desenho do City Council – não aceitei o facto como coincidência. Entrei na tenda, sentei-me na fila da frente e não pude evitar desenhar ao som da batida funky dos Portmanteau, uma banda Inglesa com uma energia tremenda e que pôs toda a gende de pé mesmo no final do concerto. Funk não é jazz, mas sem dúvida que eles ganharam o lugar no palco esta noite! No final, ainda pude confraternizar um pouco com a banda e ficar com os seus autógrafos.

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