Drawing Ground Zero

Last weekend, the iconic MAAT in Lisboa opened its doors to a group of sketchers, willing to see reality in a different way. In a workshop guided by Tomás Reis and I – Drawing Ground Zero – participants learned how to deconstruct their preconceptions on sketching, and pushed themselves to unify what they saw in a single-minded gesture, line by line.

Through demos and exercises on topographic drawing, the group produced drawings without edges, volumes instead of shapes, meshes of reality based on surfaces and textures alone.

 

The workshop was heavily based on João Louro‘s exhibition, Linguistic Ground Zero, featured in the museum, where the leveling of concepts and language were key to understanding the world from a different perspective.

Afterwards, all the participants got a free tour around the exhibitions of the museum. The reception we had at MAAT was outstanding, and we have to thank all the people there for having and supporting us, and to Patrícia Canastreiro for her excellent photo reportage!

No passado fim de semana, o iconico MAAT, em Lisboa, abriu as portas a um grupo de desenhadores prontos a ver a realidade de uma forma diferente. Numa oficina guiada pelo Tomás Reis e por mim – Drawing Ground Zero – os participantes aprenderam a desconstruir os seus preconceitos sobre desenho, e a levar adiante a ideia de unir tudo o que vêem num único gesto, linha a linha.

Através de demonstrações e exercícios sobre desenho topográfico, o grupo produziu desenhos sem arestas, com volumes em vez de formas, malhas da realidade baseadas apenas em superfícies e texturas.

A oficina for fortemente baseada na exposição do João Louro, Linguistic Ground Zero, em destaque no museu, em que a destruição de conceitos e linguagem era a chave para compreender o mundo de uma perspectiva diferente.

No final da oficina, os participantes tiveram direito a uma visita guiada gratuita às exposições patentes no museu. A recepção do MAAT foi fora de série, e temos de agradecer a todos os que nos apoiaram e ajudaram, e à Patrícia Canastreiro pela belíssima reportagem fotográfica!

The challenges of night sketching

With our workshop (Pedro Alves and I) coming up in a few weeks, I start to get excited about this night sketching business! It’s really easy, and at the same time really challenging to sketch after hours. The easy aspect of it, and the most pedagogic part about it, is that your palette gets reduced to a couple, three at most, colors. Simplification of what you see – that includes lines, shapes and colors – is key. One dark, cool color for the shadows and sky, one light warm color for the illuminated parts, and a third one for special details.

The challenge is to be precise in saving the whites in your paper. With watercolor, there’s no going back  – at most, you can wash down the amount of pigment in a lighted area. And the light parts, the glare of public lamps, the shiny surfaces, are scarce and vital for the success of your sketch. Then, to complicate matters further, there are different quality light sources: while most public lighting is cheap and yellow (washing everything in a veil of ochre), some monuments enjoy expensive full spectrum white light, which returns colors in full – suddenly you have green – instead of brown – trees and bushes, and red tiles, and blue walls.

Com a nossa oficina (Pedro Alves e eu) ao virar da esquina, começo a ficar entusiasmado com esta história do desenho noturno! Desenhar fora de horas é muito fácil e ao mesmo tempo, extremamente desafiante. A parte fácil e mais pedagógica é que a paleta fica reduzida a um par de cores, no máximo três. A simplificação do que se vê – incluindo linhas, formas e cores – é a chave. Uma cor escura e fria para as sombras e céu, e uma cor clara e quente para as zonas iluminadas. Uma terceira para alguns detalhes especiais.

O desafio é ser preciso em reservar os brancos no papel. Com a aguarela, não há retorno – no máximo, pode-se diluir a quantidade de pigmento no papel com mais água numa zona iluminada. E as zonas iluminadas, o brilho da iluminação pública, as superficies reluzentes, são escassas e vitais para o sucesso do desenho. Para complicar mais as coisas, há diferentes tipos de fontes de luz em uso: a maior parte dos poste de iluminação têm luzes amarelas baratas (que envolvem tudo num véu de ocre), mas alguns monumentos distrutam de iluminação cara, abrangendo todo o espectro de luz, que restituem as cores dos objectos na totalidade – de repente temos árvores e arbustos verdes – em vez de castanhos – e telhas vermelhas e paredes azuis.

Short circuit / Curto-circuito

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Last Sunday, the Electricity Museum (Museu da Electricidade), in league with Urban Sketchers Portugal, hosted a series of sketching workshops. There were six couples of sketchers spread throughout the museum all day and several groups of people going from location to location to attend the six different workshops. Rita Caré and I, being blind contour drawing enthusiasts, introduced the participants on how to draw with eyes wide open. It was a diverse crowd as both beginners and experienced sketchers showed up to participate.

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No último domingo, o Museu da Electricidade, em parceria com os Urban Sketchers Portugal, foi o anfitrião de uma série de oficinas de desenho. Seis duplas de desenhadores, espalhadas pelo museu, receberam, durante todo o dia grupos de pessoas que passavam de local em local para participar nas seis oficinas diferentes. A Rita Caré e eu, entusiastas do desenho cego, iniciámos os participantes na técnica de desenhar com os olhos bem abertos. Os grupos eram muito diversos e havia tanto principiantes como desenhadores experientes.

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At meals, sketchers are anti-social beings who care not for chatting – This could be the tagline of the picture above. The truth is this is the way sketchers communicate. Though the richness and variety of lines, shades and colors on bound paper. You may not know it but between these four figures lies an incredible concentration of talent (and hunger)!

Às refeições, os desenhadores são seres anti-sociais que não querem saber de conversas – Esta podia ser a frase titular da imagem acima. A verdade é que é assim que os desenhadores comunicam. Através da riqueza e da variedade das linhas, manchas e cores sobre papel cosido. Poderão não o saber mas, entre estas quatro figuras encontra-se uma concentração impressionante de talento (e de fome)!

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The afternoon was quieter for us, as the crowd shifted around to attend the other workshops. I took the time to participate in our neighbours’ workshop, André Duarte Baptista and Pedro Alves, who were showing how to use color wash and line work together in a sketch to convey depth. It was a tough but worthwhile challenge! The setting was perfect for such an event as the intricate 19th-century machinery, washed by the winter sun produced a grainy atmosphere filled with contrasts and deep tones. By the end of the afternoon, mostly everybody had short-circuited from so much sketching activity. It was time for a well-deserved late afternoon snack.

A tarde tornou-se mais calma, quando os grupos exploraram as oficinas em outras partes do museu. Aproveitei a oportunidade para participar na oficina dos nossos vizinhos, André Duarte Baptista e Pedro Alves, que mostravam como se usa a mancha e a linha num desenho para transmitir profundidade. Foi um desafio tramado mas valioso! O palco estava perfeito para este evento. A maquinaria intrincada do séc. XIX, banhada pelo sol de inverno produziu uma atmosfera texturada cheia de contrastes e tons profundos. Ao final da tarde, quase toda a gente tinha entrado em curto-circuito de tanto desenho. Era altura de um bem-merecido lanche.