Capela de Nossa Senhora da Guia (Rua da Mouraria)

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This old 16th century portal in the edge of the old town of Lisboa, in the area called Mouraria, aparently hides architectural and artistic treasures inside its doors. There’s a police station in what used to be a children’s hospital and later a home for orphan boys. Loads of stories – biblical stories – are told in the walls of the eight flights of stairs that go up the inner patio of the building, in the form of azulejo, the blue painted tiles that are so present in Portuguese monuments.

(to be continued)

Este portal manuelino na extremidade da Lisboa Velha, à entrada da Mouraria, aparentemente esconde no seu âmago tesouros arquitectónicos e artisitcos. Há uma esquadra de polícia a funcionar no que antes era um recolhimeto de órfãos e antes disso um hospital para crianças. Montes de histórias – histórias bíblicas – estão contadas nas paredes dos oito lanços de escadas que sobem pelo pátio interior do edifício, sob a forma de azulejos.

(continua)

Capela de Nossa Senhora da Guia (Rua da Mouraria) by / por Roque Gameiro
Capela de Nossa Senhora da Guia (Rua da Mouraria) by / por Roque Gameiro

Traç/zo 16 – an Iberian affair #3

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The sharp angles of the Forte da Graça create high contrast shadows and defined planes, excellent setting for beginner and intermediate sketchers that want to study shading in their work.

Os ângulos agudos do Forte da Graça criam sombras de alto contraste e planos definidos, um cenário excelente para desenhadores estreantes e intermédios que pretendam estudar sombras no seu trabalho.

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In fact, most of the town of Elvas is such a setting. The buildings are mostly utilitarian – grain mills, star forts and simple Alentejo popular architecture. The fort overlooks on the road that leads to the train station. Tractors still drive through it on their way to the fields. Meanwhile, on the moon of Endor, two scout troopers on speeder bikes patrol the sanctuary forests for rebel commandos.

Com efeito, muitos sítios em Elvas têm tal cenário. Muitos dos edifícios são predominantemente utilitários – moagens e armazenamento de cereais, fortificações em estrela e arquitectura vernácula Alentejana. O forte espreita ao longo da estrada que leva à estação de comboio. Ainda passam tractores nesta estrada, a caminho dos campos. Entretanto, na lua de Endor, dois scout troopers em speeder bikes patrulham as florestas do santuário procurando comandos rebeldes.

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Later in the day, after Traço ’16 was over, Miguel and I went for a short visit to the only disputed territory between Portugal and Spain: the border town of Olivenza/Olivença. The town, originally under Portuguese rule, came into the hands of the Spanish crown after the Napoleonic Wars. Different interpretations by the two countries of the Congress of Vienna (1814-15) gave rise to a dispute lasting to today. It is the only territorial dispute Portugal has in the CIA Factbook.

The street signs are bilingual, and some of the street names are entirely different. So if you live in Olivenza, you may end up with two different valid addresses.

Ao fim da tarde, quando o Traço ’16 já tinha terminado, o Miguel e eu fizemos uma visita rápida ao único território disputado entre Portugal e Espanha: a cidade fronteiriça de Olivenza/Olivença. A cidade, originalmente em território Português, caiu nas mãos dos Espanhóis depois das Invasões Napoleónicas. Interpretações diferentes dos resultados do Congresso de Vienna (1814-15) deram origem a uma disputa que ainda hoje se mantém. É a única disputa territorial Portuguesa registada no CIA Factbook.

As placas com os nomes de ruas são bilingues, e alguns dos nomes são inteiramente diferentes nas duas línguas. Vivendo em Olivença, podem ter-se duas moradas diferentes válidas.

Traç/zo 16 – an Iberian affair #2

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Traço ’16, Elvas drawing festival’s clever logo, designed by João Sequeira, manages to communicate both Portuguese and Spanish writing of the word traço (meaning line stroke, pronounced «trasso»), aiming for an Iberian audience. The four-day festival, that aims to become annual, successfully managed to gather sketchers, artists, illustrators, comic book authors, architects and designers, form both Portugal and Spain, in the picturesque UNESCO World Heritage site Forte da Graça.

O logótipo do Traço ’16, Festival de desenho de Elvas, criado por João Sequeira, consegue comunicar tanto a grafia Portuguesa como a Espanhola da palavra traço, apontando para uma plateia Ibérica. O festival de quatro dias, que ambiciona tornar-se anual, juntou desenhadores, artistas, ilustradores e autores de banda desenhada, arquitectos e designers, de ambos os países, no pitoresco Forte da Graça, património mundial da UNESCO.

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The final talk of the day was a conversation with Borja González, a Spanish illustrator, and Paulo Monteiro, the Portuguese director of the Bedeteca de Beja (Beja comic book library). There was a long discussion about the state of the comic book market in both countries, where Borja spoke of how comics are a very successful industry in Spain right now and Paulo had but dire news about the Portuguese editorial panorama – where many talented authors and many good-willed editors exist, but the market is just too small for critical mass to be achieved (as it already happened in Spain). The solution for the small market challenge might reside in a self-effort from the authors to export their own work.

A palestra final do sábado foi uma conversa entre Borja González, um ilustrador Espanhol, e Paulo Monteiro, director da Bedeteca de Beja. Gerou-se um longo debate sobre o estado do mercado de banda desenhada em ambos os países, no qual Borja conta como a banda desenhada se tornou num sector de sucesso nos últimos anos, todavia o Paulo trazia notícias mais negras sobre o panorama editorial Português – onde existem muitos autores talentosos e editores bem intencionados, mas o mercado é simplesmente demasiado pequeno para se atingir a massa crítica (como já sucedeu em Espanha). A solução para o desafio do mercado pequeno poderá residir num esforço dos próprios autores em exportarem directamente o seu trabalho.

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The Forte da Graça overlooks upon the north face of the fortified town of Elvas. As the sun goes down, the sharp northern slope gets darker and darker.

O Forte da Graça espreita de cima a face norte da cidade fortificada de Elvas. À medida que o sol se põe, a íngreme encosta norte adquire tons mais e mais escuros.

Traç/zo 16 – an Iberian affair #1

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The Graça Fort is a unique military architecture structure, built in the second half of the 18th century, under the Count of Lippe, as a means to secure the highest ground in the region, just north of the town. The strategic relevance of the Graça hill, where the fort was built, became evident about a century before, during the Restoration War, when the Spanish army bombarded the town of Elvas from the vantage point, some 60 meters above the town’s castle. Its ramparts, moats and bastions are organized according to the star fort dutch model.

Forte da Graça é uma peça de arquitectura militar única, construida na segunda metade do séc. XVIII, sob as ordens do Conde de Lippe, por necessidade de segurar o ponto mais alto da região, a norte da cidade. A importância estratégica do Monte da Graça, onde foi construido o Forte, tornou-se clara cerca de um século antes, durante a Guerra da Restauração, quando o exército Espanhol, a partir deste ponto sobranceiro, bombardeou a cidade de Elvas, cujo castelo se encontra a cerca de 60 metros abaixo do topo do monte. As suas muralhas, fossos e baluartes estão organizados de acordo com o modelo holandês de fortificação em estrela.

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This was the setting for Traço ’16 – Elvas Drawing Festival, which during four days liven up the old fortress with exhibitions by illustrators and comic book artists from both sides of the Iberian border, drawing workshops, lectures, a theatrical performance and a national Urban Sketchers meeting.

Este foi o cenário do Traço ’16 – Festival de Desenho de Elvas, que durante quatro dias animou a velha fortaleza com exposições de ilustradores e autores de banda desenhada de ambos os lados da fronteira Ibérica, oficinas de desenho, palestras, uma performance teatral e um encontro nacional de Urban Sketchers.

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Road to the USk Symposium #2

USk Manchester Symposium day -3 / Simpósio USk em Manchester dia -3

No trains run between Edge Hill and Lime Street on Sunday, but the walk is a mere half an hour long. Walking besides the University of Liverpool grounds, one ends up straight in the Walker Art Gallery, a free access museum with a varied collection of paintings from the middle ages onward to the early 20th century. With many apologies to art scholars everywhere, I must confess that my favorite thing about ancient art museums is searching for weird stories for the characters in the paintings. For instance, this Italian hipster from the 16th century, wondering whether the wine is fair-trade.

Não há comboios entre Edge Hill e Lime Street aos domingos, mas a caminhada para o centro demora apenas meia hora. Caminhando ao lado dos edifícios da Universidade de Liverpool, acaba-se na Walker Art Gallery, um museu de livre acesso, com uma colecção variada de pinturas desde a idade média até ao princípio do séc. XX. Com muitas desculpas aos estudiosos de arte, devo confessar que a minha coisa favorita de se fazer nos museus de arte antiga é associar histórias estranhas às personagens estranhas dos quadros. Por exemplo, este hipster italiano do séc. XVI, interrogando-se sobre se o vinho é de comércio justo.

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Many more of these guys in the next post. I hope you have as much fun as I do in finding these stories.

Virão mais destes amigalhaços no próximo post. Espero que se divirtam tanto como eu a encontrar estas histórias.

In Liverpool’s small Chinatown, The Baglery had the perfect snack for me: a poppy seed bagel gloriously filled with tomato beef, sauerkraut, melted cheese, a portobello mushroom and a perfectly poached egg, with an excellent Kenyan coffee (I’ve become the guy in the picture above, I fear).

Na pequena Chinatown de Liverpool, The Baglery tinha o petisco de tarde perfeito para mim: um bagel de sementes de papoila gloriosamente recheado de tomate fresco, sauerkraut, queijo fundido, um cogumelo portobello e um ovo escalfado na perfeição, com um excelente café Queniano (temo ter-me tornado no tipo da pintura acima).

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Along the modernized Liverpool’s waterfront, in the Albert Dock – an interesting watery plaza concept – sits the Tate, where there was an exhibition of the Liverpool Biennial, related to Ancient Greece and the Neoclassical interpretations on which the city was built. Part of the exhibition was nothing but ancient greek objects and sculptures from other art and history museums, with a small factual text describing what the object or the character were, or what did they represent in Classical Greece. It was interesting to see how these objects, taken out of their usual context, get much more attention, and from a different audience, than they would in their original exhibitions. It’s art communication, not art. But interestingly effective.

Ao longo da frente ribeirinha modernizada de Liverpool, na Albert Dock – um conceito de praça líquida interessante – fica a Tate, onde havia uma exposição da Bienal de Liverpool, relacionada com a Antiga Grécia e as interpretações neoclássicas sobre as quais foi erguida grande parte da cidade. Parte da exposição era senão um conjunto de objectos e esculturas gregos provenientes de outros museus de arte e história, acompanhados por um pequeno texto factual, descrevendo o que cada objecto ou cada personagem era ou representava na Grécia Clássica. Foi interessante ver como estes objectos, retirados do seu context habitual, atraem muito mais atenção, e de um público diferente, do que fariam integrados nas suas exposições originais. É comunicação de arte, não é arte. Mas é interessantemente eficaz.

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Everything in Liverpool is at close walkable range. Still, one can easily feel the different areas of the town, from one street to another. Only one thing is truly ubiquitous here: the distinct smell of frying that lingers everywhere.

Tudo em Liverpool é a uma distância caminhável. Ainda assim, consegue sentir-se as diferentes zonas da cidade, de rua para rua. Apenas uma coisa está sempre presente: o distinto cheiro a fritos por toda a parte.

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