Oh the streets of Rome

A teacher once told me there are two cities in the world that an architect needs to visit in his lifetime: New York and Rome. I had visited neither by the time I became an architect. Only when I wasn’t an architect anymore, did I get the chance to visit both.

I’m pretty sure that what he meant for us to see – when in Rome – was the adaptation of the city to each period of its long existence. The layering of streets and squares, the opposition of public and private and all the grey areas in-between, and the adjustment of both spontaneous and planned urban design with its challenging geography. All notions that we dealt in, and constantly debated, while in architecture school.

Rome seems to be, if not the most evident, a very prominent example of these notions put in practice. The way the city transforms and renovates itself and lives up to its heritage is humbling. If not for the heaps of tourists, one could observe and consider how the inhabitants of a city go about living everyday life in such a background of history and memory. But, then again, everyday life is everyday life, heritage or not. Right?

Um professor disse-me que havia duas cidades no mundo que um arquitecto tem de visitar na sua vida: Nova Iorque e Roma. Ainda não tinha visitado nenhuma delas quando me tornei arquitecto. Só quando já não era arquitecto é que tive a oportunidade de visitar ambas.

Tenho quase a certeza de que o que ele queria que vissemos – quando em Roma – era a adaptação da cidade a cada período da sua longa existencia. A sobreposição de ruas e praças, a oposição de espaço público e privado e de todas as áreas cinzentas entre um e outro, e o ajuste do desenho urbano espontâneo e planeado com a topografia desafiante. Tudo noções com que lidávamos e debatiamos constantemente ao estudar arquitectura.

Roma parece ser, se não o mais evidente, um exemplo proeminente destas noções postas em prática. A forma como a cidade se transforma e se renova e vive ao nível do seu património é impressionante. Não fosse pelos magotes de turistas, poder-se-ia observar e considerar como os habitantes de uma cidade vivem o quotidiano com o pano de fundo de tal história e memória. Mas, ainda assim, o quotidiano é o quotidiano, património ou não. Não é?


We didn’t get to spend a lot of time in Terni. In fact, we only used it as a dropoff point to travel to the village of Casteldilago. Nevertheless, we’ve learned a bit while meandering its country roads with the groom and the father of the bride.

Terni, in Umbria, was stage to a massive bombardment by the Allied forces in WW2. Here lay a heavy chunk of the Italian wartime steel works, a strategic target for Allied bombers. By the end of the war, not much was left of the city, and it had to be rebuilt. Maybe as a result of that, a few buildings, monuments and infrastructure look heavily influenced by the modernist and post-modernist architecture movements, at least around the train station. A pair of Italian and German flags waved as we rode past the reconstructed steelworks. A reminder that, amidst traumatic social turmoil, financial alliances may remain even after political ones break apart.

A bit into the countryside, as the road starts to negotiate mountains and valleys, the massive Cascata delle Marmore reveals itself. It’s the tallest man-made waterfall in the world, and has been around since the Classical Antiquity.

Não passámos muito tempo em Terni. Na verdade, foi apenas o ponto de ligação para a aldeia de Casteldilago. Apesar disso, aprendemos um pouco, ao ziguezaguear as estradas à boleia com o noivo e o pai da noiva.

Terno, na Úmbria, foi palco de um bombardeamento massivo pelos Aliados na 2ª Guerra Mundial. Aqui laborava uma grande parte da siderurgia Italiana, um alvo estratégico para os bombardeiros Aliados. No fim da guerra, não restava quase nada da cidade, que teve de ser reconstruida. Como resultado, alguns edifícios parecem fortemente influenciados pelo modernismo e pós-modernismo, pelo menos à volta da estação de caminho de ferro. Um par de bandeiras Italiana e Alemã ondulavam à porta da siderurgia reconstruida. Uma lembrança de que, mesmo no rescaldo da guerra e no seio de tumultos sociais traumáticos, alianças financeiras permanecem onde políticas se desmembram.

Onde as estradas rurais começam a negociar com montanhas e vales, a imponente Cascata delle Marmore revela-se. É a cascata artificial mais alta do mundo, e já existe desde a antiguidade clássica.

Samantha & Matteo

Samantha and Matteo, the soon-to-be-wed couple, came back from Milan, to their Umbrian family in Casteldilago, to celebrate their big day. The wedding troupe skipped between the church of Saint Valentine, at the very top of the hill, to the village museum, from the public garden to the local osteria.

Italians sure know how to throw a party. But they’re even better at enjoying it! Everyone was visibly committed to celebrate the newlyweds, the food was incredible – but that’s a given in Italy – and all was tied up and put together with such care, that we felt more like guests and part of the gang, than actual wedding sketchers.

A big thank you to Let’s Amore, the wedding planners that let us in to this wonderful celebration!

A Samantha e o Matteo, os noivos do casamento que iamos desenhar, vieram de Milão até à sua família em Casteldilago, na Umbria, para celebrar o grande dia. A trupe de convidados circulava pelas ruas estreitas de Casteldilago, entre a igreja de São Valentim, no topo da colina, até ao museu da aldeia, desde o jardim público, até à osteria local.

Os Italianos sabem bem como organizar uma festa. Mas são melhores ainda a disfrutá-la! Todos estavam visivelmente dedicados a celebrar os recém-casados, a comida estava incrível – mas isso é dado adquirido na Itália – e tudo ligava de uma forma harmoniosa e cuidadosa, de tal modo que nos sentimos mais como convidados e parte da trupe, do que wedding sketchers

Um grande obrigado à Let’s Amore, as organizadoras de casamentos que nos convidaram para esta celebração magnífica.

Casteldilago, Umbria

In our first international gig as the Wedding Sketchers, Teresa, António and I, got to travel to Umbria, in central Italy, to sketch for Let’s Amore – a team of Italian wedding planners based in Lisboa.

High upon a rocky hill, the narrow streets of the village of Casteldilago, sheltered us from the harsh sun, yet, punished us with its steepness. The streets intertwined in organic patios, tunnels, and even backyards of residents.

We had one full day before the wedding to rest a bit, and get in the sketching mood, and that we did! The green valley below us, and the blue mountains in the far north were begging for attention, while the walk up and down the many stairways offered dozens of juicy viewpoints.

When the wedding day came, we were rested and ready for some sketching action!

No nosso primeiro trabalho internacional como Wedding Sketchers, a Teresa, o António e eu, viajámos até à Umbria, na Itália central, a pedido da Let’s Amore – uma equipa Italiana de organizadores de casamentos, com base em Lisboa.

No alto de uma colina rochosa, as ruas estreitas da aldeia de Casteldilago abrigavam-nos nas suas sombras, mas castigavam-nos com a sua ingremidade. As ruas emaranham-se organicamente com pátios, túneis e até jardins privados dos residentes.

Tivemos um dia inteiro antes do casamento para viajar até ao local, descansar um pouco, e entrar no modo de desenho, e foi o que fizemos! O vale verde aos nossos pés, as montanhas azuis ao norte ansiavam por atenção, enquanto que as caminhadas pelas várias escadarias da aldeia ofereciam dezenas de vistas apetecíveis.

Quando chegou o grande dia, já estavamos descansados e a postos para a reportagem!

Grotesque people and places

There’s something about misshapen sketches that attracts and amuses the eye – take gothic gargoyles and modern caricatures, a child’s ginger bread house or the latest Frank Gehry’s design – grotesque portraits and architecture sketches, when done with care, are fun to make and to look at.

Now, it might just be that I’m taller than the average, or that I’m sitting too close to them, but more often than not, I tend to turn people into bobblehead dolls in my sketches. It might also happen in sketches that start out from the most preeminent features of people, with little paper surface to spare for the remainder of their figures.

António Procópio and I are going to teach some basics of misshaping architecture and people, in an all-day workshop in Portimão, on the 24th of March.

Há algo nos desenhos deformados que é um gozo para os olhos – vejam-se, por exemplo, as gárgulas góticas e as caricaturas modernas, a casa de bolachas de uma criança e uma obra do Frank Gehry – retratos grotescos e desenhos de arquitectura, quando feitos com destreza, são giros de se ver e de se fazer.

Pode ser por ser mais alto que a média, ou por desenhar sentado muito perto das pessoas, mas tenho a tendência para tornar as pessoas em bonecos cabeçudos nos meus desenhos. Pode também acontecer que começo os desenhos pelas características mais proeminentes das pessoas, e depois vejo-me com pouco papel para o resto da cabeça ou do corpo.

O António Procópio e eu vamos ensinar algumas das bases de como deformar arquitectura e pessoas, numa oficina de dia inteiro em Portimão, no dia 24 de Março.