Travel journals in Abrantes #2

160423 Abrantes 03

Meandering around the old town of Abrantes, you might come across a couple of contemporary architecture designs. The newly constructed medical center was designed by fellow local sketcher Pedro Costa – I didn’t know that at the time I was sketching it, so it was a surprise for both of us when he leafed through my sketchbook and found his own work put to paper. I had to get an autograph from him of course!

Passeando pela cidade antiga de Abrantes, poder-se-à encontrar um par de obras de arquitectura contemporânea. A recém-construida unidade de saúde foi projectada pelo colega de desenho local Pedro Costa – não sabia disso quando desenhei, por isso, foi uma surpresa para ambos quando ele folheou o meu caderno e encontrou o seu próprio trabalho riscado no papel. E ganhei um autógrafo!

Almost opposite to it, the new municipal market, designed by ARX Portugal, negociates the transition between high and low ground, in a relatively narrow plot, while contributing with a bit of modernity to the street façade.

Muito perto da unidade de saúde, o novo mercado municipal projectado pelos ARX Portugal, resolve a transição de cotas entre duas ruas que contornam o quarteirão, num lote relativamente estreito, enquanto contribui com um pouco de modernidade ao alçado da rua.

160423 Abrantes 04

It was mid-afternoon when dozens of students from the local university gathered in one of the many city squares, playing guitars and singing, drinking beer and being merry in their pitch black traditional outfits. Beer and sun are excellent excuses for my late arrival to Javier de Blas‘ lecture on his stay with the Sahauri refugees in Tindouf, Algeria. His – much like Simo Capecchi‘s work with the people of L’Aquila – is an investigative and interventive work. He records and shows us ordinary lives of ordinary people living in extraordinary conditions. In his sketches and words, the thoughts and feelings of the Sahauri refugees seem closer to our own, and gradually we wash away the dramatic and political layer other visions have planted in us. The vision of a sketcher is a patient one, and in this process, anger and revolt give way to empathy and understanding, which might be a more effective way of reaching out to people on behalf of people in need.

Já era tarde, quando dezenas de estudantes do politécnico local se juntaram numa das muitas praças do centro histórico, tocando guitarras e cantando, bebendo cerveja e festejando nos seus trajes negros. Cerveja e sol são excelentes desculpas para a minha chegada tardia à palestra do Javier de Blas sobre a sua estadia com os refugiados Sahauris em Tindouf, na Argélia. O trabalho dele – à semelhança do da Simo Capecchi com os habitantes de L’Aquila – é de investigação e intervenção. Ele regista e mostra-nos vidas comuns de pessoas comuns vivendo em condições incomuns. Nos seus desenhos e palavras, os pensamentos e sentimentos dos refugiados Sahauris tornam-se próximos dos nossos, e gradualmente, a camada dramática e política que outras visões nos inculcam desvanece-se. A visão de um desenhador é paciente, e nesse processo, a ira e a revolta dão lugar à empatia e à compreensão, que poderão ser maneiras mais eficazes de chegar às pessoas pela causa de outras pessoas.

Travel journals in Abrantes #1

160423 Abrantes 01

For most of March and the whole of April, the António Botto Library in Abrantes is and will be all about travelling sketchbooks. An exhibition gathering the work of 30 travelling sketchers (myself included) features large prints and some of the original sketchbooks that accompanied the travelers around the world. The talented Javier de Blas, whose exhibited sketchbooks were object of envy and admiration by the rest of us, was invited for an artistic residency in Abrantes by the City Hall and the regional Guild of Architects representation. During a few days, he will be sketching in and around Abrantes, along with writer Miguel Real. Last saturday, Javier was followed by a bunch of other sketchers in his mission to show his vision of the city.

Durante parte de Março e todo o Abril, a Biblioteca António Botto em Abrantes está e vai estar cheia de cadernos de viagem. Uma exposição que reúne o trabalho de 30 desenhadores viajantes (comigo incluido) mostra painéis individuais e alguns dos cadernos originais que acompanharam os viajantes à volta do mundo. O talentoso Javier de Blas, cujos cadernos expostos foram alvo de inveja e admiração de todos nós, foi convidado para uma residência artística em Abrantes, pela Câmara Municipal e pela Delegação Centro da Ordem dos Arquitectos. Durante alguns dias, ele irá desenhar em Abrantes, acompanhado pelo escritor Miguel Real. No sábado passado, o Javier foi seguido por um bando de desenhadores na sua missão de mostrar a sua visão da cidade.

160423 Abrantes 02

Abrantes is a steep city, and steep were the variations of light filtered through the heavy morning clouds. The old town flows southwestwardly from the top of a steep hill, all the way down to the river Tejo. It was in a restaurant overlooking the river that all of us were invited by the organizers to share a meal while sharing our stories and our morning sketches.

Abrantes é uma cidade íngreme, e íngremes foram também as variações da luz do sol, filtradas pelas nuvens carregadas da manhã. A velha cidade flui para sudoeste, desde o topo da colina, pela encosta abaixo até ao rio Tejo. Foi num restaurante com vista para o rio que, convidados pela organização, nos restablecemos, partilhámos uma refeição, algumas histórias e os desenhos da manhã.