Drawing Ground Zero

Last weekend, the iconic MAAT in Lisboa opened its doors to a group of sketchers, willing to see reality in a different way. In a workshop guided by Tomás Reis and I – Drawing Ground Zero – participants learned how to deconstruct their preconceptions on sketching, and pushed themselves to unify what they saw in a single-minded gesture, line by line.

Through demos and exercises on topographic drawing, the group produced drawings without edges, volumes instead of shapes, meshes of reality based on surfaces and textures alone.

 

The workshop was heavily based on João Louro‘s exhibition, Linguistic Ground Zero, featured in the museum, where the leveling of concepts and language were key to understanding the world from a different perspective.

Afterwards, all the participants got a free tour around the exhibitions of the museum. The reception we had at MAAT was outstanding, and we have to thank all the people there for having and supporting us, and to Patrícia Canastreiro for her excellent photo reportage!

No passado fim de semana, o iconico MAAT, em Lisboa, abriu as portas a um grupo de desenhadores prontos a ver a realidade de uma forma diferente. Numa oficina guiada pelo Tomás Reis e por mim – Drawing Ground Zero – os participantes aprenderam a desconstruir os seus preconceitos sobre desenho, e a levar adiante a ideia de unir tudo o que vêem num único gesto, linha a linha.

Através de demonstrações e exercícios sobre desenho topográfico, o grupo produziu desenhos sem arestas, com volumes em vez de formas, malhas da realidade baseadas apenas em superfícies e texturas.

A oficina for fortemente baseada na exposição do João Louro, Linguistic Ground Zero, em destaque no museu, em que a destruição de conceitos e linguagem era a chave para compreender o mundo de uma perspectiva diferente.

No final da oficina, os participantes tiveram direito a uma visita guiada gratuita às exposições patentes no museu. A recepção do MAAT foi fora de série, e temos de agradecer a todos os que nos apoiaram e ajudaram, e à Patrícia Canastreiro pela belíssima reportagem fotográfica!

Journals in the north

Nós e os Cadernos 2, an event in 2017 about sketchbooks organized by Tiago Cruz, was set in the beautiful surroundings of the Parque Natural do Litoral Norte, a natural reserve around the mouth of the Cávado river.

Nós e os Cadernos 2, um evento sobre cadernos, organizado pelo Tiago Cruz em 2017, teve como cenário a bela envolvente do Parque Natural do Litoral Norte, uma reserva natural em torno da foz do rio Cávado.

A handful of small historical towns pepper the area, and the participants benefited from a two-day tour, visiting three of them, all with different characters.

A região é polvilhada por pequenas vilas históricas, e os participantes do evento beneficiaram de visitas a três delas, todas com atmosferas diferentes.

Fão is a small medieval town just next to the last bridge over the Cávado. Many people that emigrated to the former colony in Brazil, ended up building a home here upon their return. There’s plenty of quality public spaces by the river shore, all lined and furbished in granite, which, for a southerner like me, is the first feature that stands out.

Fão é uma pequena vila medieval mesmo ao lado da última ponte sobre o Cávado. Muitas pessoas que emigraram para a antiga colónia do Brasil acabaram por construir a sua casa aqui, após o seu regresso. Abundam os espaços públicos à beira do rio, revestidos e ladeados em granito, que, para alguém natural do sul como eu, é a primeira característica a destacar-se.

Apúlia has been known as a beach resort for decades, and before that as a capture point for sargasso. Its most distinct feature is the sequence of windmills on the dune, which are now converted to touristic lodgings. But again, what stands out to my southerner eyes are the hut-like structures that shield the beach-goers from the harsh crisp wind, which aren’t definitely a feature on the south coast beaches.

A Apúlia é conhecida como uma estância balnear há décadas, e antes disso como uma área da apanha do sargaço. A sua característica mais marcante é a sequência de moinhos sobre as dunas, que agora estão convertidos em alojamento turístico. Mas, mais uma vez, o que se destaca aos meus olhos do sul são as pequenas barracas que polvilham a praia e abrigam os banhistas do vento ríspido. Estas não são definitivamente uma característica das praias da costa sul.

Then, there’s Esposende itself, the helm of the municipality that supported the event and our tours. Besides being a historical town worth visiting, the coastal landscape, the nature reserve around it and the myriad of interesting destinations in a reasonable distance make it a perfect home base to relax in the north of Portugal.

Depois, há a cidade de Esposende, a sede do concelho que apoiou o evento e os nossos passeios para desenhar. Para além de ser uma cidade histórica que vale a visita, a paisagem costeira, a reserva natural envolvente e a miríade de destinos interessantes a uma distância razoável, tornam-na o quartel-general perfeito para relaxar no norte de Portugal.

Nós e os Cadernos 2

In the summer of 2017, Tiago Cruz, researcher at CIAC, invited ten sketchbook lovers to Esposende, for a weekend of talks and sketchwalks in the Minho shores, in an event titled Nós e os Cadernos 2. I was honored to be included in the rooster of speakers, alongside Alexandra Belo, António Jorge Gonçalves, Eduardo Salavisa, Manuel João Ramos, Manuel San Payo, Marco Costa, Rosário Félix and Vítor Mingacho.

The event, supported by the Esposende Municipality, was all about the sketchbook – this magical object that artists, illustrators, architects, social scientists and many others use regularly. Some use it for practice, others as a study journal or as a final piece of art, some may use it instead of a confession booth or therapist’s couch, some even use it merely out of comfort and habit.

Regardless of individual perspectives on it, the sketchbook is a fundamental object for many people, and serious research studies about it are scarce. Tiago strives to turn it into a valuable object of research, and Nós e os Cadernos is the annual manifestation of that effort. The talks of the speakers during the event were just now published in ebook which can be downloaded here for free (Portuguese only).

Action-to-action transition and aspect-to-aspect transition, according to Scott McLoud (1993)
Action-to-action transition and aspect-to-aspect transition, according to Scott McCloud (1993)

My own talk – Caneta Cinematográfica – had to do about the similarities of experiencing a sketchbook and cinema, and was heavily inspired in Nerdwriter‘s excellent video essay Ghost in the Shell: Identity in Space.

Stills of the boat scene in Ghost in the Shell (1995)
Stills of the boat scene in Ghost in the Shell (1995)

No verão de 2017, o Tiago Cruz, investigador no CIAC, convidou dez amantes de diários gráficos a Esposende, para um fim-de-semana de palestras e saídas de desenho no litoral Minhoto, a que chamou Nós e os Cadernos 2. Tive a honra de ser incluído no plantel de palestrantes, ao lado de Alexandra Belo, António Jorge Gonçalves, Eduardo Salavisa, Manuel João Ramos, Manuel San Payo, Marco Costa, Rosário Félix e Vítor Mingacho.

O evento, apoiado pelo município de Esposende, foi inteiramente dedicado aos diários gráficos – esse objecto mágico que artistas, ilustradores, arquitectos, cientistas sociais e muitos outros profissionais ou amadores usam regularmente. Alguns usam-no para praticar, outros como um caderno de campo ou ainda como uma peça de arte final, pode ser usado como confessionário ou sofá de terapeuta, ou ainda por hábito ou conforto.

Independentemente das abordagens individuais, o diário gráfico é um objecto fundamental para muitos, e ainda são parcas as investigações sérias sobre o assunto. O Tiago faz por torná-lo um tema de investigação válido, e o Nós e os Cadernos é a manifestação anual desse esforço. As palestras do evento estão agora publicadas num ebook que pode ser descarregado gratuitamente aqui.

A minha palestra – Caneta Cinematográfica – tem a ver com os paralelismos na experimentação de um diário gráfico e de cinema, e foi fortemente inspirado no excelente ensaio em video Ghost in the Shell: Identity in Space, de Nerdwriter.

Road to Riga

Today, I’m flying off to the north of Europe. The final destination is Riga, in Latvia, where I’ll lead two sketching workshops with fellow sketcher Pedro Alves, in the Urban Sketching Winter School Riga 2019. But the journey starts further north, in Helsinki and Tallinn.

To get familiar with the northern palette, I’ve tested this night view of Riga’s cathedral. You might not believe it but it was sketched live and on location… well… sort of. This live webcam might had something to do with it. Still counts as urban sketching, right?

Hoje, voo para o norte da Europa. O destino final é Riga, na Letónia, onde irei conduzir duas oficinas de desenho com o companheiro de cadernos Pedro Alves, na Urban Sketching Winter School Riga 2019. Mas a viagem começa mais a norte, em Helsínquia e Tallinn.

Para me familiarizar com a paleta nortenha, testei esta vista noturna da catedral de Riga. Podem não acreditar, mas foi desenhada ao vivo e no local… quer dizer… mais ou menos. Esta webcam pode ter tido algo a ver com isto. Mas ainda conta como urban sketching, não é?

Pizzeria ai Marmi

It’s one of those places that make a trip just that much enjoyable. Ai Marmi is a pizza joint in the Trastevere, in Rome. The pizza, good although nothing fancy. The no-frills service delivered with amiable grunts and spent out jokes. The decor dated and eclectic, cold marble tables crammed in narrow rows. The heat from the wood-heated oven turned the noisy dining room into a sauna. The tables outside were battled over by sweaty Americans. And all this is perfectly fine if you feel the place you are in is the real deal! Ai Marmi has been serving pizzas and delicious starters to Romans and otherwise since the 50’s, and we hope, for many decades more.

É um daqueles sítios que faz com que uma viagem se torne um bocadinho mais alegre. Ai Marmi é uma pizzaria no Trastevere, em Roma. A pizza, boa mas nada de especial. O serviço sem frescura, acompanhado com grunhidos amigáveis e piadas já gastas. A decoração datada e eclética, mesas frias de mármore encavalitadas umas nas outras em filas estreitas. O calor do forno a lenha transformava a sala de jantar numa sauna. As mesas na esplanada disputadas por Americanos suados. E tudo isto é perfeito, se se sente que o sítio em que se está é de verdade! A pizzaria Ai Marmi serve pizzas e entradas deliciosas a Romanos e outros desde os anos 50, e esperamos que por muitas mais décadas.